A literatura tem uma lista grande de mulheres que nos inspiram e algumas delas (se não todas) tiveram que enfrentar muitas barreiras e críticas fervorosas por expressarem suas opiniões atemporais.
Pensando nisso, listei cinco clássicos escritos por autoras que me marcaram em determinados momentos da minha vida, e que vez por outra ainda recorro à essas histórias conservando o máximo de aprendizado que posso.

1. O Quinze – Rachel de Queiroz
Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, e apenas isso bastou para admirá-la. E essa admiração ficou ainda maior quando li O Quinze. Esse foi romance de estreia dela e causou grande impacto no seu ano de lançamento por narrar os infortunios da seca de 1915 que assolou o Estado do Ceará, deixando cidades inteiras devastadas pela miséria. A narrativa em prosa simples e comovente dá vida a história de uma família de retirantes aflitos pelo caos trazido pela seca, marcha em direção a Amazônia em busca de sobrevivência. E também nos envolve com a história de uma moça, apaixonada por romances franceses, angustiada por um amor irrealizado. E ao mesmo tempo que sofre, tenta se pôr firme para ajudar aqueles atingidos diretamente pela grande seca.

O Quinze é uma importante referência à história do Ceará e é visto como um testemunho de uma época em que o quadro social era degradável, onde pessoas clamavam por redenção e chuva.

2. Orgulho e Preconceito – Jane Austen

Os livros da Jane Austen já são praticamente membros da família pra mim *risos*, e Orgulho e Preconceito, pegando como exemplo a referencia da própria autora, é considerado meu filho querido. Acredito que em algum momento da vida todo mundo já ouviu falar desse livro, até porque ele possui inúmeras adaptações tanto na literatura, quanto no cinema e na TV. Muitos dizem que é um clichê, pois a história resume-se basicamente em um romance improvável entre uma moça pobre e um rapaz rico. De fato, o clichê é evidente mas Jane Austen é Jane Austen e com um pouco do humor ácido característico da autora, Orgulho e Preconceito tornou-se um dos melhores romances de época que eu já li.

A mistura da personalidade forte e impositiva da Lizzie e o jeito taciturno e antissocial do Sr. Darcy, é o exemplo perfeito entre duas perspectivas totalmente contrárias sobre os aspectos cotidianos, e o resultado disso são deliciosos diálogos acalorados entre os dois. Além do mais o livro questiona os valores da sociedade inglesa no século XVIII e como as primeiras impressões influenciam nosso discernimento sobre determinadas coisas ou pessoas.

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3. Jane Eyre – Charlotte Bronte

Acostumados com romances típicos da Era Vitoriana nos deparamos com Jane Eyre que é indiscutivelmente diferente dos outros publicados naquele período. Isso porque Charlotte Bronte deu uma voz independente a sua personagem, deixando claro que as mulheres têm a mesma necessidade dos homens de expressar opiniões e de obter conhecimento. Bronte criou uma heroína que questiona a ideologia criada pelos homens na Era Vitoriana, de que suas únicas aspirações deveriam ser a maternidade e as obrigações do lar. Jane Eyre tem características subversivas ao padrão exigido e batia o pé se recusando-se a ser resignada em um estereótipo do tipo “bela, recatada e do lar”.

Não é uma leitura curta, pois o livro conta com mais ou menos 700 páginas, mas seu enredo é tão fluido e envolvente que isso torna-se irrelevante.

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4. A Cor Púrpura – Alice Walker

A Cor Púrpura conta a história de Celie, uma jovem negra e pobre marcada pela brutalidade dos abusos físicos e psicológicos causados pelo padrasto, em meados do século XX no Sul dos Estados Unidos. Ela é semianalfabeta mas tem o costume de escrever cartas para Deus e para sua irmã Nettie, uma missionária da África, que foi afastada dela ainda na adolescência quando Celie foi vendia a Albert, um homem violento e que só a enxerga como um objeto cuja função é satisfazer suas necessidades.

Em sua trajetória ela vai ganhando novos amigos, um deles é a cantora e amante de Albert, Shug Avery. Mesmo com as experiências infelizes, Celie tem uma visão inocente das coisas e sente afeição imediata pela Shug. Por ciúmes ou despeito, Shug é arredia no começo mas logo o sentimento é recíproco dando início a uma bela e singular amizade.

Apesar da premissa dramática, esse livro tem um tom humorístico peculiar e sua intensão não é fazer os leitores chorarem. A autora enfatiza que sua obra serve como crítica a cultura machista sobre o papel da mulher na sociedade.
A Cor Púrpura é um clássico feminista que além de relatar a história triste de Celie, aborda questões pertinentes sobre a busca pela igualdade de gênero.

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5. O Sol É Para Todos/Vá, Coloque Um Vigia – Harper Lee

(Sei que disse que seriam 5 clássicos, mas apensar de Vá, Coloque um Vigia ser um lançamento de 2015, foi escrito antes de O Sol É Para Todos e funciona como uma continuação, achei que não fazia sentido indicar apenas um, portanto encarem como bônus ok?!)

Em O Sol É Para Todos lançados originalmente 1960, conhecemos Jean Louise (a Scout), filha de Atticus Finch um advogado respeitado na cidade de Maycombe, cidade interiorana dos Estados Unidos, que tem a difícil tarefa de defender um negro acusado de estuprar uma mulher branca. A história se passa nos anos 30 e é narrada pela perspectiva da Scout, contada de forma inocente e humana sobre o olhar de uma criança vivenciando situações que, infelizmente, ainda tão atuais como o racismo e a desigualdade social.

Em Vá, coloque um vigia há um salto de 20 anos e uma Jean Louise já crescida se depara com praticamente a mesma realidade de antes. Por conta de algumas descobertas a respeito de sua família, ela põe seus valores e ideais à prova. Dessa forma acompanhamos seu amadurecimento e as consequências dele.
Essas são leituras indispensáveis exaltando a prática da empatia e da tolerância, e exemplificando como o preconceito é destrutivo para a sociedade.

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Então vai lá, pega uma boa xícara de café, escolha qualquer um (ou todos) da lista e boa leitura!

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