Ao longo da História da Humanidade, desde os primórdios com Adão e Eva — considerando aqui a teoria Criacionista — a mulher é subjugada, quase tudo relacionado ao seu corpo é anulado, e as manifestações de prazer, a exemplo de Eva, são pecaminosas. A quadrinista sueca, Liv Strömquist, diz que:

“Culpabilizar o prazer é um dos mais efetivos instrumentos de dominação — graças à culpa, a maçã é venenosa e o paraíso mantém seus portões fechados”.

Em “A Origem do Mundo: Uma História Cultural da Vagina ou a Vulva Vs. O Patriarcado”, lançado esse ano pela Companhia das Letras no selo Quadrinhos e Cia., a artista expõe com uma mistura de bom humor e revolta  um panorama histórico de como foram criados os mais diversos mitos e tabus acerca do “orgão sexual feminino”, como tentativas de dominação, castração e padronização do sexo feminino.

Dividindo a HQ em segmentos, Strömquist fala sobre os estudos (leia-se: pitacos) mais bizarros feitos por homens sobre a vagina ou a vulva. Sobre como a masturbação era terminantemente imprópria; sobre os defensores do celibato que viam a relação sexual como suja; sobre binarismo de gênero; sobre menstruação e TPM; sobre orgasmmo feminino como sendo complicado de atingir e não necessariamente importante; sobre loucas teorias relacionadas ao clitóris; até mesmo sobre o órgão genital ser determinante na hora de decidir se as mulheres dos séculos XV a XVIII eram bruxas. Dos gregos antigos a Stieg Larsson, das mulheres da Idade da Pedra a Sigmund Freud, de Jean-Paul Sartre a John Harvey Kellogg (o inventor dos sucrilhos), da fábula da bela adormecida a deusas hindus, de livros de biologia ao rapper Dogge Doggelito, Liv Strömquist remexe nossa cultura e vai até o epicentro da construção social do sexo.

Com isso, a autora propõe questionar o “porque a sociedade alimenta uma relação tão esquisita com a genitália feminina? Porque essa parte do corpo foi com tanta frequência representada de maneira casta e infantil? Porque a menstruação é um tema apagado da nossa cultura quando costumava ser algo sagrado para povos ancestrais? E de que maneira se desenvolveram as ideias de gênero e identidade sexual?”

Liv estudou Ciência Política e como feminista, sua obra é pautada por questões sociopolíticas com intuito de desmistificar tabus e denunciar injustiças. Além do traço característico a autora endossa a HQ com figuras, textos, imagens históricas com as devidas fontes, que compõem uma narrativa embasada, com uma temática necessária e com muito sarcasmo,não somente para polemizar os assuntos, mas para informar, problematizar e refletir.

Recomendo!

Onde Comprar:
Submarino

ISBN-13: 9788535930689 | ISBN-10: 853593068X | Ano: 2018 |  Páginas: 144 | Editora: Quadrinhos na Cia

LIV STRÖMQUIST: Nasceu em 1978 na cidade de Lund, na região de Österlen, sul da Suécia. Sua primeira história em quadrinhos, Cem por cento de gordura, foi publicada em 2005 e alcançou enorme sucesso. Depois, vieram Desejo (2006), A mulher de Einstein (2008), Os sentimentos do príncipe Charles (2010) e A cartilha da Liv (2011). Além de quadrinista, Liv estudou ciência política e teve seus livros publicados na França, Finlândia, Dinamarca, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Itália, entre outros países.

{ Esse livro foi enviado pela editora Companhia das Letras para resenha no blog. Em compromisso com o leitor, sempre informamos toda forma de publicidade realizada pelo blog 

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