Os gamers vivem o estereótipo de serem pessoas que não são sociáveis, que não se misturam com outras pessoas e que não veem motivos nessas interações sociais. Parte disso talvez seja verdade, eu mesmo não vejo vantagens em socializar com estranhos, como um cachorrinho com medo, mas a ideia principal aqui é que videogames têm um papel chave na socialização dos seus usuários e muitos deles, às vezes, nem notam isso.

Penso que já disse antes, mas reitero que sou uma pessoa não favorável de multiplayer e acredito que essa crença absurda da indústria de que TODO jogo deve ter multiplayer ou não venderá, é um tiro no pé com bazuca (sem os efeitos de Quake) . Não, não estou falando de multiplayer online, necessariamente, nesse texto, até porque na grande maioria de jogos com essa atração você sempre achará alguém disposto a comentar sobre sua mãe. O que quero conversar sobre é como você pode se divertir com seus amigos e como videogames não foram apenas feitos para uma pessoa sozinha, até mesmo os single players.

Cresci em uma época que multiplayer era chamar meus primos para jogar videogame em casa, ou eu ir a casa deles, porque não tinha muitos amigos. Com a introdução da internet como meio de jogar com outras pessoas, nós acabamos por ter uma ferramenta que nos ajudou a conhecer ótimos amigos novos e, claro, os jogadores de Call of Duty de 12 anos de idade. Mas eu percebo que ficamos muito dependentes disso, claro que muitos de nós crescemos e não temos mais tempo ou oportunidades de ter sempre nossos amigos por perto, caso contrário não seria vida real, seria FRIENDS, mas ainda sim é uma dependência ruim.

 

Brasuil Game Show, vale a pena (eu acho).

Brasil Game Show, vale a pena (eu acho).

Jogando Dark Souls por esses dias, avaliando a raiva que o jogo proporciona, pensei: seria legal ver meus amigos passando por isso. Tente imaginar você e mais uns três amigos jogando Dark Souls 2 ano que vem, nenhum de vocês sabe de nada sobre o jogo, ninguém foi atrás de detonados ou dicas, apenas se reuniram pra começar um novo pesadelo. Imagine que, ao passo que um de vocês morre, passa o controle pro outro amigo, este que já estava observando, evita de cometer os mesmos erros que vocês e avança mais um pouco, apenas para morrer miseravelmente na próxima armadilha e passar o controle para o próximo amigo. Nos chefões isso seria ainda mais divertido, pois todos morreriam num mesmo lugar e pensariam juntos para ultrapassar aquela dificuldade, sem contar as zoeiras e risadas quando um de vocês for morto sem compaixão.

Jogos de luta ou corrida sempre estarão ai para dar uma experiência maior, mas alguns jogos single player também podem ser interessantes para um maior número de pessoas, como os survival horror. Se você conseguir juntar uma trupe de amigos que sejam tão medrosos quanto você, seria algo bem divertido colocar algum título bem assustador e reparar como todos riem dos próprios pulos que dão nas cadeiras. Invejo quem foi em eventos como a BGS ou E3, pois são lugares onde a interação social e a sensação de pertencer à um grupo social é muito maior, portanto, mais fácil de fazer novos amigos com os mesmos gostos que os seus. Tenho certeza que alguns de vocês já assistiram, ou até participaram da plateia de campeonatos de League of Legends, percebam como ela vibra e torce junta ao passo da partida, assim como acontece em estádios de futebol. Os videogames juntam pessoas.

Perceba que os jogos não dependem apenas de pessoas solitárias na frente da televisão ou várias enraivecidas te xingando pelo microfone, é uma atividade mais abrangente, que pode unir de maneiras inesperadas. Eu sou uma pessoa que joga a maior parte do tempo sozinha, mas que também sabe aproveitar quando esta jogando com amigos e até mesmo desconhecidos, por mais estranho que isso seja de começo. Sugiro que se você for introspectivo também, tente hoje mesmo jogar com outra pessoa mais perto, minha intenção não é fazer disso tudo um mundo de alegria e socialização, credo, mas sim mostrar que nem tudo deve ser apenas sobre nós mesmos e nossa paixão.