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Queria Cynthia,

Pensei em inúmeras formas de escrever sobre seu livro para as pessoas que acompanham meu blog na internet, mas uma resenha como costumo fazer, não seria o suficiente, então foi em um desses momentos que pensando em tudo o que eu tinha lido em “O Último Adeus” que eu peguei um dos meus cadernos guardados no fundo de uma gaveta onde eu o guardei depois das sessões de terapia.

Com 9 anos de idade eu acordei no meio da noite com uma pequena confusão em casa, duas tias do meu pai me levaram até a cozinha e enquanto uma delas preparava um copo de água com açúcar, a outra me entregou as piores palavras que eu poderia ouvir naquele momento: seu pai morreu.

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E nós ficamos sozinhos: Eu, minha mãe e meu irmão mais novo.

Confesso que sinceramente não entendi aquelas palavras, eu tinha nove anos de idade e a única coisa que eu ligava a palavra morte é quando alguns meses antes eu tinha perdido minha cachorrinha de estimação, após horas de luta. Lembro que naquela noite não dormi e só pensava como tudo poderia simplesmente ir tão rápido.

Eu não encarei muito bem a morte do meu pai, não tenho vergonha em dizer, nós não somos fortes o tempo todo e não devemos criar essa ilusão. Infelizmente não tive tempo de sofrer o luto do meu pai, minha família sofreu perdas enormes nos dois anos seguintes, meu pai, meu tio, minha vó e minha tia. Todos partiram,  com menos de 8 meses de tempo para a família superar uma perda.

Eu não procurei ajuda logo que essas perdas aconteceram, eu tentei lidar sozinha com tudo, o que resultou em uma crise de ansiedade que não me fazia sair de casa, eu fui me distanciando dos amigos e tendo crises cada vez maiores, o buraco se que abria dentro do meu peito foi ficando cada vez maior. Um dia voltando do trabalho eu me assustei com minha própria sombra e travei no meio da rua, eu não consegui dar um passo. E não consegui voltar para casa.

“Sinto saudade sinto saudade sinto saudade. O buraco no meu peito explode. Não consigo respirar não consigo respirar.”

Naquele dia eu procurei um psicólogo e comecei a finalmente vivenciar o luto, a tratar minha ansiedade e a voltar a viver, depois de 11 anos da morte do meu pai.  Dia 10 de outubro de 2016, no dia do aniversário dele, fazem 15 anos que ele faleceu. E quatro que eu aprendi a lidar com a vida após a perda de alguém.

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Quando O Último Adeus chegou até mim, senti um medo, relembrar cicatrizes é reviver tudo novamente. E perto da meia noite de uma quinta-feira quando terminei de ler as palavras da Lex e as sua história, meu coração não conseguia processar todos os sentimentos presos dentro de mim naquele momento.

Além da empatia que você me ensinou a sentir com a sua personagem, com aquela história sensível que trata da perda, da depressão e da angustia de forma tão real e sincera, você me fez se sentir compreendida, abraçada. Me fez sentir como se olhasse nos meus olhos e dissesse: Hey Anna, o tempo cura e a culpa não é sua.

A forma com que você construiu a história intercalando as lembranças, os escritos da Lex no moleskine e a vida que continuava acontecendo, você aproximou a ficção da realidade de inúmeras pessoas. Você fez o livro se tornar uma leitura que não romantiza o problema, mas que o trabalha de forma real e plausível.

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Ao escrever a história da Lex, você criou uma narrativa fácil de ler que conduz o leitor a cometer erros com a protagonista, a morrer um pouco junto com a mãe e a compreender mais sobre o que se passa dentro de todo o círculo das pessoas que ficam após a morte ter levado alguém.

Após secar o choro ao ler as últimas palavras de “O Último Adeus” eu fui até o meu irmão e o fiquei olhando por um bom tempo, pensei em tudo que nós dois já vivemos juntos e sorri, por tudo que um livro foi capaz de fazer comigo.

Espero que mais pessoas tenham acesso a essa história e que a cada dia, mais discussões sobre depressões, transtornos de ansiedade, luto, perda e culpa sejam começadas, que aos poucos os tabus sejam derrubados e o tratamento seja ainda mais fácil e acessível. Que buscar ajuda não seja sinal de vergonha e que mais pessoas sintam o poder da empatia e possam olhar com olhos calmos e atenciosos para o problema, sem julgamentos.

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A edição do seu livro no Brasil ficou linda, a Darkside fez um ótimo trabalho. As pessoas estão começando a falar sobre ele e as conversas que estão surgindo estão sendo incríveis.  Existe até uma playlist no spotify com as músicas citadas no livro.

Espero que você esteja feliz com até onde o suas palavras estão chegando.

Com carinho,
Anna.

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ISBN-13: 9788594540027 | ISBN-10: 8594540027 | Ano: 2016 | Páginas: 352 | Editora: DarkSide Books

Cynthia Hand é escritora best seller do New York Times, autora de vários livros de Young Adult: a Trilogia Unearthly, The Last Time We Say Goodbye, My Lady Jane e The Afterlife of Holly Chase. Cynthia Cynthia Hand divide seu tempo entre o sul da Califórnia, onde vive com o marido e o filho, e o sudeste de Idaho, perto das Montanhas Teton. Hand dá aulas de escrita criativa na Universidade de Pepperdine.  Na mesma linha de Os 13 Porquês (Jay Asher) e Se eu Ficar (Gayle Forman), O Último Adeus é o seu primeiro romance contemporâneo. “Um romance emocionalmente complexo e poderoso que permanece com os leitores muito tempo após fecharmos o livro. Brilhante e ao mesmo tempo de estilhaçar de dor, com vida e esperança.”

{ Esse livro foi enviado pela editora DarksideBooks para resenha no blog. Em compromisso com o leitor, sempre informamos toda forma de publicidade realizada pelo blog

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Baci ;*

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