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Olho teus olhos e automaticamente fecho minhas mãos em defesa, ao olhar a tempestade que se forma sinto a necessidade de correr. Como se aquele tempo ruim fosse me atingir a qualquer momento, preciso de um lugar seguro para esperar a tempestade.

Infelizmente eu não sou um ponto seguro o suficiente. Abro as mãos e sinto seus olhos fixos na minha atitude, talvez por um segundo ou dois, apenas o suficiente para me deixar desconfortável para agir com agressividade a primeira forma de contato, seja em um simples diálogo ou ao próximo pensamento clichê.

Sou critica com tudo que envolve esse sentimento, nada pode ser simples, nem mesmo aquele temporal que estamos notando, você sabe… ele se aproxima. Ele tende a ser um temporal com ventos fortes, daqueles que precisamos fechar a janelas rapidamente, colocar um lençol sobre os espelhos e fechar os olhos a cada trovão. Por favor eu não quero menos.

Eu quero sentir a adrenalina, eu quero sentir o medo e eu quero sentir a vontade de fazer tudo de novo. Como um vício, como uma doença. Quero como diz aquela música italiana que eu tanto gosto e você nunca ouviu: “voglio quello brutto tempo che fa dentro di te”.

Me pergunto se você percebe essa tempestade chegando, percebe o vento que canta ao fundo pedindo desculpas pela destruição eminente. Pelo risco que estamos prestes a correr. Mas continuamos ali parados e nesses breves segundos sem nenhuma atitude , talvez podemos até mesmo sussurrar um pedido de desculpas que nunca será ouvido.

Posso de verdade nunca ter te amado, mas isso eu não conto a ninguém, afinal o que seria de mim sem todo esse tempo ruim que aos poucos eu fui roubando de você?

Mas ao avistar todas aquelas nuvens, apenas dou as costas, talvez não tenha mais vontade de limpar todos os estragos mais uma vez, de todo esse tempo ruim que faz dentro de você.

Foto: Milada Vigerova

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