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Literatura Nacional

Dicas de Chuck Palahniuk para ser um escritor melhor!

Vocês já sabem que eu sou uma pessoa que praticamente idolatra o Chuck. Seus livros são simplesmente os melhores do mundo para mim. E nunca, ninguém vai me fazer mudar de ideia.

Então visitando alguns blogs que o Chuck costuma escrever, eu achei esse post muito legal e traduzi para vocês, confiram logo abaixo:

Texto original aqui!

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Em seis segundos você vai me odiar.
Mas, em seis meses você vai ser um escritor melhor.

Deste ponto em diante – pelo menos para o próximo semestre – você não poderá mais utilizar os verbos “pensamento”. Nessa lista incluem: pensar, conhecer, compreender, realizar, acreditar que, quer, recordar, imaginar, desejar e uma centena de outros que você gosta de usar.

A lista deve incluir também: amar e odiar.

E você deve incluir: ter, mas nós vamos chegar a esses mais tarde.

Até algum tempo perto do Natal, você não pode escrever: “Kenny perguntou se Monica não gostava de sair à noite … ”

O pensamento é abstrato. Conhecer e acreditar são intangíveis. Sua história sempre será mais forte se você mostrar as ações físicas e os detalhes de seus personagens e permitir que o leitor possa  pensar e conhecer. Amar e odiar.

Em vez disso, você pode explorar algo como: “As manhãs após Kenny ter ficado fora, além do último ônibus, chegou em casa para encontrar Monica fingindo dormir, fingindo, porque ela nunca dormiu com aquela calma, naquela manhã, ela só iria colocar a sua própria xícara de café no microondas. Não a dele. ”

Em vez de personagens que sabem alguma coisa, você deve agora apresentar os detalhes que permitem que o leitor possa conhecê-los. Em vez de um personagem querendo algo, você deve descrever as ações da forma que o leitor deseja.

Em vez de dizer: “Adam descobriu que gostava de Gwen.”

Você vai ter que dizer: “Entre as classes, Gwen estava apoiada em seu armário, quando ele ia abri-lo. Ela revirou os olhos e bateu com um pé, deixando uma marca preta de salto sobre o metal pintado, mas ela também deixou o cheiro do seu perfume. O cadeado da combinação ainda estava quente. E na próxima pausa, Gwen estaria lá, de novo. ”

Em suma, não há mais atalhos. Use detalhes sensoriais: olfato, paladar, som e sentimento.

Normalmente, os escritores usam esses verbos “pensamento” no início de um parágrafo. De certa forma, eles afirmam a intenção do parágrafo.

Por exemplo:

“Brenda sabia que ela nunca iria conseguir fazer dentro do prazo. O tráfego a pegou a partir da ponte, além das oito ou nove primeiras saídas. Sua bateria de telefone celular estava morta . Em casa, os cães precisam sair, ou então haveria uma bagunça para limpar. Além disso, ela tinha prometido regar as plantas para a sua vizinha … ”

Você vê como a abertura “tese” rouba a atenção do que se segue? Não faça isso.

Então que tal, cortar a frase de abertura. Melhor ainda, transplantá-lo e alterá-lo para o final de tudo: Brenda nunca faria dentro do prazo.

O pensamento é abstrato. Conhecer e acreditar são intangíveis. Sua história sempre será mais forte se você mostrar as ações físicas e detalhes de seus personagens e permitir com que o leitor pense e conheça. Ame e odeie.

Não diga ao seu leitor: “Lisa odiava Tom”.

Em vez disso, faça como um advogado no tribunal, detalhe por detalhe. Apresente cada pedaço de evidência.

Um dos erros mais comuns, que os escritores iniciantes fazem é deixar seus personagens sozinhos. Na escrita, você pode estar sozinho. Na leitura, o público pode ficar sozinho. Mas seu personagem deve gastar muito, muito pouco tempo sozinho. Porque um personagem solitário começa a pensar ou se preocupar.

Por exemplo: “Esperando o ônibus, Mark começou a se preocupar com quanto tempo a viagem levaria .. ”

A melhor quebra pode ser: “O cronograma disse que o ônibus iria passar por aqui ao meio-dia, mas o relógio de Mark mostrava que já era 11:57. Você pode ver todo o caminho pela estrada, até o Mall, e não ver um ônibus. Sem dúvida, o motorista estava estacionado tirando uma soneca. O motorista estava dormindo, e Mark ia se atrasar. Ou pior, o motorista estava bebendo, e ele iria levar Mark bêbado. Setenta e cinco centavos para a morte em um acidente de trânsito … ”

Um personagem pode cair em fantasia ou memória, mas mesmo assim, você não pode usar os verbos “pensamento” ou qualquer de seus parentes abstratos. Ah, e você pode simplesmente esquecer de usar os verbos esquecer e lembrar.

Não há mais transições, tais como: “Wanda se lembrou de como Nelson escovava o cabelo dela.”

Em vez disso: “Em seu segundo ano, Nelson escovava os cabelos lisos com longos golpes de sua mão.”

Novamente. Não tome atalhos.

Melhor ainda, deixe suas ações e palavras mostrar seus pensamentos.

E enquanto você está evitando verbos “pensamento”, seja muito cautelosos sobre o uso do verbo “ter”.

Por exemplo:

“Os olhos de Ann são azuis.”

“Ann tem olhos azuis.”

Versus:

“Ann tossiu e acenou com uma mão, limpando a fumaça do cigarro de seus olhos, olhos azuis, depois ela sorriu …”

Em vez de “tem”, tente enterrar mais detalhes do que um personagem tem, ou seja, em ações ou gestos. No seu mais o básico, isso está mostrando a sua história, em vez de contá-la.

E depois, uma vez que você aprendeu a mostrar seus personagens, você vai odiar o escritor preguiçoso que se contenta com: “Jim sentou-se ao lado do telefone, perguntando-se por que Amanda não ligou.”

Por favor. Por enquanto, me odeie com tudo, mas não use verbos “pensamento”.

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Curtiu? Eu vou começar a usar as dicas do Chuck. Você também poderia e juntos deixaremos de ser escritores mais preguiçosos *risos*

About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

19 Comments

  • isabel
    13 de agosto de 2013 at 15:57

    Isso vai contra a regra de outros escritores de nunca colocar coisas longas quando coisas curtas caberiam, mas Chuck P. é divo e em todas as situações preferi do jeito dele. Você já leu as 36 crafts essays? Acho que não tem mais para vender, mas baixei o pdf ilegal ehhehehe Não li todas ainda, mas gostei do que li.

    Reply
  • Luiz Artemus Gabrdo
    13 de agosto de 2013 at 23:16

    Adorei ^^ “Me odeie com tudo, mas não use verbos “pensamento”. Com essas dicas dá pra ver um dos motivos da paixão da Anna pelo Chuck xD

    Reply
  • Artur
    7 de novembro de 2013 at 12:18

    Há! Eu estava a um segundo de traduzir esse texto para mandar para alguns amigos, e pensei: “Esse é o melhor conselho pra escrever ficção que já existiu, não é possível que alguem do Brasil não tenha traduzido!”, então eu traduzi a primeira frase, joguei no google e vim parar aqui, agora só distribuir o link…
    Agora vou olhar o resto do site aqui ^^.

    Reply
    • Anna Schermak
      7 de novembro de 2013 at 12:22

      Chuck é meu autor preferido, vai encontrar muitas coisas ele por aqui <3
      Seja bem vindo!

      Reply
      • Artur
        8 de novembro de 2013 at 08:31

        Tô lendo aqui as resenhas, parece mó interessante. Tu recomenda algum livro pra começar? (fora clube da luta, que eu já li)

        Reply
        • Anna Schermak
          8 de novembro de 2013 at 08:59

          Muitos hehehe, não comece por Sobrevivente, deixe ele por último, é o mais chatinho do autor.
          Aproveite para comprar Snuff e Monstros invisiveis antes que acabe de vez pq a edição é da Rocco e ultimamente so dá para comprar direto no site deles.
          A editora leya lançou Condenada que é ótimo, mas ele ainda da tempo de comprar sem ter medo que acabe hehe.
          Comece por Monstros Invisíveis ele consegue explodir cabeças 😉

          Reply
          • Artur
            13 de janeiro de 2014 at 10:33

            Há… explodir cabeças… entendi a piada =P
            Mas sério, acabei de ler o Invisible Monsters a uns dias… É sensacional! O livro tem, tipo, toda a atração magnética que não te deixa parar de olhar pra um acidente de transito… Acho que eu não demorei nem 2 dias pra terminar.
            Bom, valeu a recomendação ^^

          • Anna Schermak
            13 de janeiro de 2014 at 11:19

            É o meu livro preferido, tenho até uma caneca inspirada nele. P-E-R-F-E-I-T-O! 😉

  • Rodrigo Assis Mesquita
    2 de outubro de 2015 at 18:10

    Anna, escutei o Anticast 202, curti muito a sua participação! Não conhecia você nem o seu site, fiquei surpreso ao descobrir que alguém já tinha traduzido esse ensaio do Chuck sobre verbos de pensamento, que eu conheci há uns 2 ou 3 anos e me impressionou bastante na época. Tinha postado um artigo comentado esse ensaio, em setembro, até editei para colocar o link para esta tradução sua.
    PS: acho interessante como uma tradução depende de quem escreve, as passagens que ele cita eu traduzi de forma diferente…

    Reply
  • Marcus
    4 de outubro de 2015 at 22:35

    Esse post foi MIND F%& BLOWING.

    Reply
  • Lucas
    5 de novembro de 2015 at 01:24

    Muito legal a iniciativa de traduzir esse EXCELENTE texto, obrigado, mas infelizmente a tradução está muito errada em algumas partes. O primeiro exemplo mesmo está incompreensível em português e com sentido completamente diferente do que o Chuck escreveu.

    Não li o resto depois disso, pulei para o texto original, mas gostaria de deixar esse alerta.

    Reply
    • Anna Schermak
      5 de novembro de 2015 at 13:47

      Oi Lucas, como disse até no anticast, meu inglês é miserável.Eu falo italiano traduzi esse texto para consulta própria. Fico feliz que muitos conseguem utilizar o texto e também não conseguem ler em inglês 😉

      TANTO QUE: o link do original ta em primeiro lugar que a tradução tosca.

      Então agradeço a sua dica, mas nunca disse que a minha tradução é a melhor de todas, ta ai só pra ajudar a galera que precisa. Parabéns que tu consegue ler o original amigo

      Reply
      • Lucas
        5 de novembro de 2015 at 15:10

        Ana, de maneira alguma quis te ofender ou falar que seu inglês é uma merda. Muito menos dar uma de superior por saber ler inglês.

        Cai no seu texto por causa de outro podcast, não cheguei a ouvir o que vc citou.

        Falei apenas para alertar quem está lendo a procurar a fonte original caso consiga ler em inglês.

        Com certeza sua iniciativa ajuda quem não tem a menor noção da língua original do texto, não quis dizer o contrário. Me desculpe se dei essa impressão.

        Novamente, parabéns pela iniciativa em trazer texto.

        Reply
  • Alexandre
    2 de fevereiro de 2016 at 18:20

    Olá Anna, escutei você dizendo, lá no Anticast, que esse texto estava mal traduzido. Olha, não está (eu só deixaria o nome Adão como no original, porque nome não precisa de tradução).

    Este comentário é porque eu preciso dizer: O exemplo do Adão e da Gwen me deixou boquiaberto! Tipo, CARALEO, cara, é assim que se faz!

    Ah, parabéns pelo site! É sempre bom encontrar conteúdos bons assim pela internet 🙂

    Reply
    • Anna Schermak
      2 de fevereiro de 2016 at 21:31

      Oi Alexandre!
      Muito obrigada pelo comentário! Vou usar a sua dica, obrigada por colaborar 😀

      Reply
  • Wesley Nunes
    11 de fevereiro de 2016 at 10:31

    Com esse seu texto, inicia-se o meu amor pelo seu site.
    Já que não posso agradecer ao Chuck, agradeço a você.
    Muito obrigado e parabéns.

    Reply
    • Anna Schermak
      11 de fevereiro de 2016 at 12:33

      Own <3 Obrigada! Espero que aproveite bastante as dicas 😀

      Reply
  • Ensaios sobre a criatividade | UNISUAM News
    21 de novembro de 2016 at 19:49

    […] limitar de alguma forma? Se estiver escrevendo um texto, que tal não usar os verbos de pensamento, como praticado pelo renomado escritor Chuck Palhaniuk, autor do clássico “Clube da Luta”. Se colocar nessas situações controladas pode ser benéfico, uma vez que você irá se […]

    Reply

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