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Especial Mês da Mulher: Leia Rachel de Queiroz
Especial Mês da Mulher: Leia Rachel de Queiroz

Especial Mês da Mulher: Leia Rachel de Queiroz

Especial Mês da Mulher: Leia Rachel de Queiroz

Vocês saberiam dizer quem foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, o mais importante da Língua Portuguesa? Ou a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras?

A resposta para ambas as perguntas levam o mesmo nome: Rachel de Queiroz.

Cearense, jornalista, romancista, tradutora, cronista, se destacou ainda com dezessete anos quando começou a colaborar para o Jornal “O Ceará” escrevendo romances de folhetim, mas reconhecimento veio aos dezenove anos, com o livro O Quinze. Rachel era parente pelo lado materno de José de Alencar, teve a sorte de nascer em uma casa de intelectuais, e portanto desde de pequena desenvolveu o hábito da leitura. Começou lendo alguns romances franceses, e tinha um carinho especial pelas histórias de Júlio Verne. E de escritores nacionais, começou por Machado de Assis.

A Rachel tem um currículo extenso, dos seus romances, dois deles tem um grande destaque pra mim: “O Quinze” e “Memorial de Maria Moura”. Coincidentemente eles marcam dois grandes momentos na carreira da autora. Com O Quinze ela se lançou na literatura e Memorial de Maria Moura foi escrito quando ela já tinha 82 anos, seu último romance publicado e confirmava toda a maestria que ela dispunha como escritora.

O Quinze (1930) foi um marco na literatura do século XX, causando grande impacto por descrever o dramático e pungente período da seca de 1915, que devastou o Nordeste. A prosa de Rachel é simples, a linguagem é puramente regional (a autora tentava em seus livros escrever tal como era falado, imprimindo uma linguagem mais aproximada do real). Nesse livro o relato se compõe em duas histórias, que se intercalam e se cruzam em determinado momento. De um lado temos a história de Conceição, uma moça de família abastada, cheia de personalidade, dona de si, apaixonada por romances franceses. Tem certa aversão pelo casamento, mas cultiva um amor quase platônico pelo seu primo Vicente. Ela é uma moça benevolente com as pessoas, se compadece da vida dos sertanejos e do destino trágico que lhes condenam. Do outro lado o leitor se comove com o drama de uma família de retirantes, que busca fugir dos estragos da seca, marchando na direção do Amazonas com a promessa de uma vida melhor. Essas duas histórias são a representação de um cenário político-social da época, é quase um testemunho sobre um período tão devastador para muitas famílias do Nordeste.O Quinze é um verdadeiro relato de sobrevivência e redenção.

Por ser um livro de senso crítico tão apurado, foi difícil de alguns críticos e escritores renomados (como Graciliano Ramos) acreditarem ter sido escrito por uma mulher e ainda mais ela sendo tão jovem. Rachel com O Quinze revolucionou o modernismo no Brasil e calou muitos desses críticos que duvidavam que mulheres e literatura não combinavam, sendo em 1931 contemplada pelo Prêmio Graça Aranha. E não é preciso muitos outros argumentos dizer que a leitura é indispensável.

Em Memorial de Maria Moura (1992), o leitor é transportado ao Nordeste do século XIX, onde Maria Moura (um dos personagens femininos mais marcantes da obra da autora) com apenas 17 anos, órfã de mãe e pai, enfrenta uma briga com os primos pela herança das terras. A autora utiliza o discurso polifônico, ou seja, várias vozes narram a história. E nele além da trama “principal” da Maria Moura, acompanhamos também a saga do Padre José Maria (Beato Romão) envolvido em m grande escândalo na cidade e que também sabe um grande segredo da Maria Moura. Os primos Tonho e Irineu, dois sujeitos sem escrúpulos que só pensam em tomar posse da herança. E Marialva e Valentim, casal que enfrenta a ira da família para ficar junto.

Em seu último livro a autora continuou a denunciar os problemas sociais do Nordeste da época, trazendo personagens de grande impacto, com personalidades e atitudes ambíguas, expondo-os da forma mais humana possível, mostrando as qualidades, os defeitos, as fraquezas. Apesar de ser uma história com muitos narradores, a trama toda tem uma ligação e se desenrola de maneira a envolver completamente o leitor.

Mesmo como uma ficcionista renomada com romances famosos, peças de teatros, vários livros infantojuvenis, uma enorme lista de traduções e colaborações, sua grande paixão era o Jornalismo e defendia essa como sua profissão. Por ser um estilo de narrativa mais aproximado do jornalismo, viu na Crônica um meio de intermediá-lo com a literatura. E acho que é nesse estilo de escrita que o leitor “enxerga” mais de perto as opiniões da escritora sobre vários assuntos. Segundo Heloisa Buarque de Hollanda, a perspectiva dominante da crônica da Rachel é o gosto pela conversa, pela arte de contar atrelada a um quê de regionalismo e alguns traços culturais, ou seja, suas cronicas são praticamente suas memórias e talvez seja o gênero que mais tenha explorado seu poder de escritora.

Um aspecto muito importante e característico na obra da Rachel é o protagonismo feminino. Era comum na época a representação romantizada da feminilidade, na qual as mulheres eram descritas a partir da perspectiva masculina. E mesmo enfatizando NÃO ser uma Feminista, ela escrevia personagens fora dos padrões. As mulheres de Rachel tem um espírito justiceiro, são donas de si, são representativas e refletem até mesmo a imagem da própria Rachel. Diferentemente do que se cultivava como papel feminino na sua época, ela escolheu viver da escrita. Tinha opinião e engajamento político. Ditou as regras da sua vida pessoal, se divorciando do primeiro marido num período que isso era pouco aceitável, e se casando novamente mais tarde e também foi pioneira em muitos outros importantes eventos da história da literatura. Foi a única escritora aceita no Modernismo. Em 1977 foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e em 1993 foi agraciada pelo Prêmio Camões. Ao longo da vida ela recebeu mais de 20 prêmios e honrarias. Sua obra foi traduzida para vários idiomas e adaptada no cinema e na televisão.

Feminista ou não, Rachel é um grande exemplo representatividade feminina na Literatura Brasileira, nem ela mesma poderia negar e a leitura de sua obra é de extrema importância.

Conheça outras obras da Raquel de Queiroz clicando AQUI

Boa leitura!

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