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Antigamente tinhamos amigos imaginários, hoje psicólogos. Antes escrevíamos, hoje raramente nos deixamos ouvir.

Existiu um dia em que tivemos coragem, hoje medo. Tomamos remédio para dormir e litros de café para nos manter acordados durante o dia.

Era uma vez quando assistíamos desenhos e conseguíamos nos emocionar, hoje o excesso de violência em nossa série preferida, não nos impressiona mais.

Antes eu não pensava nisso. Hoje tenho momentos sozinha de pura análise interna. Sento em frente ao computador segurando uma xícara de café que esfria sem eu ter digitado uma letra sequer em uma página em branco de algum arquivo que deveria conter muitas palavras.

Já estivemos muito próximos do amor verdadeiro, da amizade de infância, da família dos sonhos, do cachorro amigo e do perfeito eu lírico. Mas por algum motivo o despertador não tocou. Sabe como é a tecnologia. Quando precisamos, não funcionam.

Já estivemos melhores com as palavras, com os gestos, com os sentimentos e até com as mentirinhas. Já fomos melhores em muitas coisas, principalmente em não nos esconder. Em não abusar dos limites, em dizer a verdade, em não fazer julgamentos.

Mas a idade vai chegando, abandonando a alegria, o ânimo e a sensibilidade. Ganhamos pequenos poderes que nada dizem e achamos que podemos tudo. São tantas denominações diferentes nos jornais para dizer quem somos que na hora de olhar nos espelhos, não sabemos mais quem estamos vendo.

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