God of War e a importância da Comunicação

Para continuar o Janeiro Branco, hoje usarei a temática de God of War para falar sobre comunicação. Aviso, desde já, que haverá alguns spoilers de toda narrativa dos games. Você foi avisada(o).

A mitologia grega sempre foi uma área que me agradou. Tenho memórias gostosas de assistir Xena, Hércules e Cavaleiros do Zodíaco quando criança, dentre outras obras que usam essa mitologia como inspiração ou plano de fundo. Quando foi lançado, God of War se tornou rapidamente uma das joias da minha biblioteca de jogos, facilmente uma franquia que me faria comprar um console novo só para poder jogar o último capítulo da saga do Fantasma de Esparta.

Contudo, a história de Kratos, quando analisada de forma criteriosa, não é a de um herói. É uma narrativa trágica de um homem sedento por vitórias e poder, que matou a própria família e, por puro ódio e vingança, matou um panteão inteiro. Até sua jornada em terras nórdicas, Kratos dificilmente era um personagem que você conseguia sentir simpatia, mesmo que a história justificasse com a construção de Deuses dissimulados. Tendo dito isso, acredito que podemos tirar dessa história o poder da comunicação.

Kratos, pra mim, até o fim de sua primeira jornada em God of War 3 (PS3/PS4), era um personagem muito raso. Sua história apenas permitia que ele mostrasse raiva e ressentimento. Você não o via sorrir, fazer algumas piadas ou refletir sobre o que estava fazendo. Ele não dividia a jornada com outro personagem e, quando o fazia, provavelmente mataria tal personagem. Vimos uma faísca de esperança no terceiro episódio central, onde ele divide alguns momentos com a garota Pandora, mas nada perto da obra de arte de God of War “4” (2018). Kratos não comunicava aos outros seus sofrimentos. Sua única forma de lidar com os fantasmas do passado era matando ainda mais, fazendo o trabalho sujo dos deuses e, quando estes não fizeram exatamente aquilo que Kratos desejava, este resolve eliminar todos que ficarem em seu caminho. No último episódio da franquia, além de ser o início de uma nova aventura, Kratos tem dezenas de momentos de comunicação e aprendizado com seu filho Atreus. É palpável ao jogador o senso de maturidade dos personagens, que começam sua jornada sem falar muito (apenas GAROTO) e, no final, conseguem acreditar e confiar um no outro, fechando de forma belíssima com uma despedida de pai e filho para sua falecida mãe.

Entenda que por “comunicação” eu digo que é preciso falar sobre as frustrações, medos, raivas, ansiedade, etc. Muito provavelmente você já se sentiu tão bem em conseguir algo que estava querendo que desejou falar pra TODO MUNDO sobre aquilo, não é? Grande parte das postagens da internet são pessoas postando fotos ou textos por isso. Mas por que guardamos as frustrações? Por que é tão difícil falar sobre assuntos como ansiedade, depressão ou até mesmo suicídio? Não falar sobre essas coisas nos faz acumular sentimentos ruins e isso não é saudável, tanto para sua mente quanto para sua saúde no geral.

Lembre-se que o primeiro contato que tivemos com Kratos foi quando ele estava se jogando do monte mais alto da Grécia, decidido a tirar a própria vida, pois não aguentava mais lidar com o peso da responsabilidade de lidar com as próprias escolhas. Kratos não tinha com quem falar sobre o que se passou, mas você tem.

Para saber mais sobre a campanha Janeiro Branco, acesse o link: https://janeirobranco.com.br/

 

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Anna Schermak

Anna Schermak

26 anos, Curitibana, Formada em Marketing. Criadora do Pausa Para um Café e Social Media na maior parte do tempo. Apaixonada por cachorros, cafés e bons livros.

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