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Faz muito tempo que não escrevo.

Parei porque não fazia mais sentido.

Eu só escrevi sobre você durante todo tempo, era tão difícil mudar o hábito que acabei o matando.

Hoje lembrei que podia voltar, falar de você já não era crime. Eu não era mais culpada em escrever palavra alguma.

E por isso estou aqui.

Faz quanto tempo que a gente não se vê? 6 anos? É verdade o que dizem, o tempo passa rápido demais. Queria te dizer que esses dias encontrei um amigo nosso, lembrei de você ao ver o rosto dele, lembrei de quando conversar com você não era guardar todo meu orgulho no bolso. Lembrei de quando era simples estar ao seu lado.

Se você quiser saber, ainda guardo uma carta tua escondida em meio a contas antigas. Ninguém nunca me escreveu uma carta. Talvez seja ela a culpada? Talvez seja ela e todas as primeiras coisas que você fez.

Minha mãe jura de pé junto que um dia ainda ficaremos juntos, minha mãe que tanto cismou com a gente sendo um casal. Hoje sou eu que cismo com isso, digo pra todo mundo que te superei, que você não existe mais aqui, que nunca ficaremos juntos, que não fomos feitos um para o outro. Ao mesmo tempo que olho pra baixo e lembro dos futuros que imaginamos para fugir do tédio e da tristeza. Ao mesmo tempo que olho pra dentro e escrevo mil textos sobre você.

Será que você sempre soube que eu continuava aqui? Esses dias voltando da academia voltei formulando mil formas de te dar “oi”. Será que indico aquela série que eu sabia que você ia gostar? Será que digo que o livro sobre o filme que você me apresentou hoje é o motivo pelo qual as pessoas me conhecem?

Decidi que não tinha mais coragem, fui mais uma vez a menina que acha que se o destino é realmente esse, ele que dê um jeito das coisas acontecerem. Ele que se resolva, onde já se viu?

Infelizmente a mulher de hoje sabe que as coisas não acontecem assim. Não gosto de você porquê nossos signos combinam, não gosto de você porquê você foi meu primeiro amor. Eu sei que não.

O motivo é aquele adeus que eu nunca aceitei, tua desculpa esfarrapada que mastiguei durante esses últimos seis anos, que contei em sessões de terapia, mas que nem minha melhor amiga sabe.

O motivo é que apesar de ser uma cidade grande com ares de pequena, que apesar de trabalhamos no mesmo ramo e conhecer as mesmas pessoas, que apesar de nos seguirmos nas redes sociais e de vez em quando cruzar com alguém da sua família na rua…

…eu nunca mais te vi.

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