Quando li as críticas de Mother!, de Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho e Cisne Negro), fiquei receosa com o que poderia encontrar. Alguns aplaudiram de pé, já outros pensaram que o filme não passou de uma masturbação mental do diretor, querendo mostrar que sua prepotência é justificada.

 O filme possui, de fato, diversas cenas agoniantes, como é de se esperar de Aronofsky. Mas além da claustrofobia e ansiedade geradas de modo explícito e sem rodeios, não poderia deixar de pontuar o que há de mais assustador no filme: A passividade feminina.

Entendo que esse traço da personagem Verônica, interpretada por Jennifer Lawrence, é proposital. Entendo que é para que nós, expectadores, fiquemos com estômago embrulhados por pensar que ela se anula de todas as formas pelo homem que ama. Pela casa. Pela harmonia em sua rotina. O grande x da questão aqui é que essa passividade vai além da grande tela – como mulher, somos criadas para agir exatamente desta forma: bonecas que só sabem sorrir.

 A socialização feminina na sociedade sempre foi doentia. Quantas vezes ouvi da minha mãe que eu não podia mostrar meu mal humor senão nunca conseguiria namoradinhos? Senão não conseguiria casar (ó céus!). Que impor uma opinião ou contrariar ele – o homem, seja pai, amigo ou marido – estaria me colocando numa posição frágil, porque daria motivos para ser mal vista e mal falada? Mother! retrata essa passividade de uma forma tão realista que dói. Quando a personagem é útil, é reverenciada. Quando finalmente se impõe (não entrarei em detalhes para não dar spoilers), sofre diversos ataques – é chamada de puta, porca, vadia e por aí vai (nada novo sob o sol).

E, por isso, o filme mexeu tanto comigo. Alegorias bíblicas à parte, Mother! cutuca essa ferida nas mulheres que sempre ouviram que precisavam atingir uma perfeição insuportável, inalcançável, doente e deletéria.

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