Poemas, T.S. Eliot

O Prêmio Nobel de Literatura (1948), Thomas Stearns Eliot, nasceu em 1888, em St. Louis, Missouri, nos Estados Unidos. Sim, um dos maiores poetas britânicos do século XX era americano. T.S. Eliot estudou filosofia na Harvard, na Sorbonne e em Oxford, e somente em 1914 mudou-se para a Inglaterra, onde começou a trabalhar como professor em Londres. Lá ele conheceu grandes nomes da Literatura, como Erza Pound, que foi importantíssimo para sua trajetória literária. Conheceu também, James Joyce, Gertrude Stein, Virgínia Woolf, etc.

T.S. Eliot deixou uma curta obra literária, se compararmos a outros escritores da época, mas a sua teve grande impacto na Literatura moderna. Seus poemas são caracterizados como profundos e densos, centrado a musicalidade, no ritmo e na sonoridade. Com isso, ele ficou conhecimento como alguém que revolucionou a paisagem literária do século XX.

“A canção de amor de J. Alfred Prufrock” (The Love Song of J. Alfred Prufrock), de 1917, que foi o seu primeiro trabalho e pioneiro em contribuição para essa nova poesia contemporânea. “A terra devastada” (The Waste Land) de 1922, um dos mais célebres poemas do autor foi, e é ainda hoje, tido como um dos mais importantes da Literatura Inglesa.

Essa nova edição da Companhia das Letras reúne o que corresponde à poesia completa publicada em livro e em edições independentes lançadas em vida. Com organização, tradução e posfácio de Caetano W. Galindo. Além disso, a editora manteve o texto original, ou seja, é uma edição bilíngüe, com mais de sessenta notas com a tradução de citações, referências de contextos e outras observações sobre poemas, epígrafes e até mesmo dos títulos, como bem fala o tradutor em “Nota a esta edição”.

Como leitora iniciante da obra de T.S. Eliot, toda essa organização e textos de apoio do Caetano W. Galindo fizeram total diferença para a minha compreensão da obra, pois o autor tem um estilo muito particular, os poemas são longos, ritmados e enigmáticos. “A terra devastada”, por exemplo, foi tido na época como “belíssimo, mas incompreensível”, e ao longo dos anos vem sendo analisado com o intuito de torná-lo mais “interpretável”, “entendível”.

O próprio autor, desde a primeira edição publicada, se valeu de notas para explicar suas referencias usadas (que foram conservadas também nessa edição da Companhia), mas essas notas não são tão explicativas assim, vistas na época como zombateiras, uma brincadeira do autor para confundir ainda mais seus leitores.

O estranhamento inicial foi inevitável, porém, para tentar aproveitar melhor a experiência, nessa leitura fiz algo que não costumo fazer, li o texto do posfácio logo após o final do primeiro livro da coletânea, pois achei que dessa forma seria mais fácil “entender” o estilo do autor e talvez encarar a leitura com uma visão menos turva.

Para Caetano W. Galindo devemos seguir o conselho de James Joyce deu para os leitores da época, de que não é preciso entender o poema, é preciso deixá-lo “causar sua impressão, deixar sua marca. Depois talvez caiba tentar entender o que significa entender.”

Ao ler essa fala de Caetano misturada ao conselho de outro grande escritor, foi mais fácil deixar os poemas fluírem, deixá-los se moldarem por conta própria, de forma leve. Estava muito preocupada em entendê-los que esqueci de senti-los. Pois poesia é na verdade muito mais do que um gênero literário com suas formas em verso e rima, muitas vezes ela está além do exprimível.

“(…)

A ciência impõe padrão e falsifica,
Pois o padrão é novo a cada momento
E cada momento é nova e escandalosa
A avaliação de tudo que fomos. Só não nos engana
Aquilo que, enganando, não mais pode fazer mal.
No meio, não só no meio do caminho
Mas no caminho todo, em mata escura, em espinhadeiro,
Na beirada do charco, onde não há passo certo,
Ameaçado por monstros, luzes espectrais,
Com o risco do encanto. Não me façam ouvir
Sobre a sabedoria dos velhos, mas sim sua tolice,
Seu medo do medo e loucura, seu medo da posse,
De pertencer a um outro, ou outros, ou a Deus.
A única sabedoria que podemos esperar ganhar
É a sabedoria da humildade: a humildade é sem fim.

As casas somem todas sob o mar.

A dança some inteira sob o morro.”

 

No fim, a experiência foi completa. Recomendo muito a leitura!

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ISBN-13: 9788535931785 | ISBN-10: 8535931783 | Ano: 2018 | Páginas: 432 | Editora: Companhia das Letras

Eliot nasceu nos Estados Unidos, mudou-se para a Inglaterra em 1914 (então com 25 anos) e tornou-se cidadão britânico em 1927, com 39 anos de idade. T. S Eliot residia em Londres. Depois da guerra, nos anos vinte, ele passou muito tempo com outros grandes artistas na avenida Montparnasse, em Paris, onde foi fotografado por Man Ray. A poesia francesa exerceu grande influência na obra de Eliot, em particular o simbolista Charles Baudelaire, cujas imagens da vida em Paris serviram de modelo para a imagem de Londres pintada por Eliot. Ele começou então a estudar sânscrito e religiões orientais, chegando a ser aluno do renomado armênio G. I. Gurdjieff. A obra de Eliot, após a sua conversão ao cristianismo pela Igreja Anglicana, é frequentemente religiosa em sua natureza e tenta preservar o inglês arcaico e alguns valores europeus que ele julgava serem importantes. Publicou o poema The Waste Land em 1922; em 1927 obteve a nacionalidade britânica. Em 1928, Eliot resumiu suas crenças muito bem no prefácio de de seu livro “Para Lancelot Andrews”: “O ponto de vista geral [dos assuntos do livro] pode ser descrito como classicista na literatura, monarquista na política e anglo-católico na religião.” Essa fase inclui trabalhos poéticos como Ash Wednesday, The Journey of the Magi, e Four Quartets.

{ Esse livro foi enviado pela editora Companhia das Letras para resenha no blog. Em compromisso com o leitor, sempre informamos toda forma de publicidade realizada pelo blog 

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Anna Schermak

Anna Schermak

26 anos, Curitibana, Formada em Marketing. Criadora do Pausa Para um Café e Social Media na maior parte do tempo. Apaixonada por cachorros, cafés e bons livros.

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