Sinopse: Pé vermelho (Domingos Pellegrini) entra em contato com a obra de Polaco (Paulo Leminski), no ano de 1964, ao ler um artigo deste na revista Invenções. Alguns anos depois eles se conhecem, iniciando uma amizade que dura duas décadas. Vinte e cinco anos depois, tendo Leminski já falecido, Pé Vermelho recebe a proposta de uma editora para escrever sua biografia. Como já havia uma lançada, O Bandido que sabia latim, de Toninho Vaz, ele fica em dúvida sobre como deve fazer, e se deve fazer. Pede um tempo pra pensar. Tem, então, um sonho onde está preparando sopa num caldeirão, com Leminski, este a adicionar páprica, ‘tempero fino’, à sopa comum. Ele interpreta com humor: deve escrever algo incomum, não uma biografia convencional, mas algo além, algo escrito pelos dois, sobre as faces poliédricas de Leminski, que tanto escreveu sobre pedras…

 “E passei a decorar poemas, espantando-me ao saber numa aula que decorar vem do latim, ‘cor’, coração, decorar é, portanto, guardar na memória depois de passar pelo coração. As palavras conseguem ser ordinárias e, ao mesmo tempo, paranormais.”

Biografias são sempre emocionantes… Mas está é mais do que uma simples biografia. Este livro lhe permite dialogar com o próprio Leminski. Você… Isso… Você mesmo… É fã de obras de arte? Então, convido-lhe, sem nenhuma pena, a participar da conversa com um grande homem que a nação brasileira teve o prazer de conhecer.

A história começa com o autor (grande amigo do poeta) explicando como seria e tentando fazer com que nós não nos sintamos perdidos… Sim… É uma biografia. Mas não é nada igual a tudo aquilo que já vimos. A viagem se faz com dois autores. Temos o discurso do Pé Vermelho (autor da obra) e a lembrança da fala enigmática do Polaco (Leminski).

Cada página que se passava me fazia olhar pro fundo e saber quantas mais faltavam pra acabar. Eu não queria que acabasse nunca. É bom ouvir histórias (principalmente, as bem contadas). Queria saber mais sobre esse polaco-brasileiro-índio-negro-asiático. Um homem, mil características. Leminski é mostrado, neste livro, como um homem do povo. Como alguém que sempre esteve ali. Sensível, compreendeu o sentimento do mundo e fez com que a poesia não fosse tão erudita quanto algumas pessoas acreditavam que fosse.

Nascido em Salvador, eu vi, no Leminski, um nordestino arretado… Vi a vivência dos poetas de cordéis que vivem em Pernambuco. Foi linda a experiência que tive de conversa com essas duas magníficas crianças travessas, adolescentes cheios de imaginação e adultos de vanguarda. Muitas vezes, poderiam chamar o poeta de arrogante, prepotente; mas, de fato, ele, apenas, sabia que a sua opinião era valiosa e escrevia sobre isso.

Agradeço, imensamente, ao Pé Vermelho por ter tido a coragem de aceitar o projeto de escrever sobre este homem. A leitura me fez crescer como pessoa e, principalmente, como escritor. Não queria chegar aos pés do Leminski (até porque sei que seria impossível), mas gostaria de tentar alcançar a sua noção de verdade.

Indico o diálogo para todos… Um livro rico em história, estória e manias. Parabéns ao autor e vida longa à Lembrança que Temos de Leminski.
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Edição: 1 | Editora: Geração Editorial | ISBN: 9788581302201 | Ano: 2014 | Páginas: 200


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