Já dizia Amélie Poulain: são tempos difíceis para os sonhadores. Em meio a tantas injustiças, tristezas e barbáries que acompanhamos nos jornais, nas redes sociais e no nosso próprio cotidiano, acabamos nos esquecendo de encontrar alguma graça nas coisas leves e até banais da vida. Para superar tanta seriedade, alguns seriados cheios de fofura e amor podem trazer mais gargalhadas aos nossos dias.

Juro que vou me controlar para não indicar Friends, como seria o óbvio de fazer, visto que sou uma FÃ DOIDA dessa série. E nem vou falar muito de The Big Bang Theory, que é meu segundo amor em forma de sitcom… bazinga, indico fortemente e não consigo enganar ninguém!

Começando por uma série que conheci por acaso e, só depois de viciar, fui descobrir que é dona de um ~singelo~ Globo de Ouro: Brooklyn Nine-Nine, transmitida originalmente pela Fox e disponível também na Netflix. A comédia se passa em uma delegacia de polícia no bairro nova-iorquino do Brooklyn, e acompanha os policiais na resolução de crimes, na interação como colegas de trabalho e na vida pessoal deles. O diferencial do grupo de policiais é a inteligência para os momentos críticos perfeitamente alinhada com a piração que faz parte da interação entre eles. Afinal, ninguém ali é muito normal…o que reflete bastante da vida real, não é mesmo?!

Mesmo se tratando de uma sitcom (abreviação de situation comedy, uma comédia do cotidiano), não espere plateia ou, muito menos, risadas de fundo: B99 é feita de uma forma diferenciada, com construções de cena em vários ambientes, enquadramentos de câmera ousados e closes estratégicos (que potencializam o humor). Em relação ao enredo, a simplicidade do plot engana, por parecer raso e estereotipado. Mas novamente, não se engane: B99 conquista o espectador por ser uma celebração à diversidade, retratando sororidade feminina e respeito às diferenças com personagens – de destaque – latinos, negros e gays, e colocando as mulheres em pé de igualdade com homens. Aliás, o quão incrível é assistir uma série que coloca, sem fazer estardalhaço em cima disso, um homem negro e homossexual como líder de um departamento de polícia? Gente, isso é muito maravilindo!

Com um humor cheio de críticas sociais entranhadas, um jeitinho todo especial de fazer 20 minutos passarem rápido como se fossem 20 segundos, e um elenco cuja harmonia é admirável, Brooklyn Nine-Nine é a prova de que o humor inteligente é poderoso, e não precisa ofender para fazer gargalhar.

Falando em representatividade, não posso deixar de indicar Girls In The House, uma websérie brasileira criada pelo divo multitarefa Raony Phillips. Os episódios são feitos dentro do jogo The Sims e duram, em média, uns 20 minutos também; são postados no canal do Rao no YouTube. Quando eu digo que o Raony é multitarefa, é porque ele faz literalmente TUDO relacionado a série: escreve roteiros, grava direto do The Sims (usando hacks específicos para personalizar os movimentos padrões do jogo), edita os vídeos, faz a trilha sonora original, dubla as personagens, posta no YouTube, prepara a divulgação nas redes sociais…dentre todo o resto do processo criativo que a obra demanda.

A história se passa na Pensão da Tia Ruiva, onde as protagonistas Duny, Alex e Honey vivem e trabalham. A série também é no estilo sitcom, e aborda tanto a vida das protagonistas quanto os mistérios (ou esquisitices mesmo) que envolvem os hóspedes da pensão. Aliás, a própria Tia Ruiva já é um mistério a parte, porque nas primeiras três temporadas da série, nem o espectador e nem as personagens conhecem a dona da pensão. E para mencionar a representatividade de GITH, basta dizer que o Raony nos mostra vários tipos diferentes de mulherão-do-poder: temos mulheres hétero, lésbicas e transexuais, todas elas empoderadas e unidas.

O motivo do sucesso da websérie não é complicado de entender: em GITH, a gente acompanha um plot que mescla o non-sense com situações super corriqueiras na vida, tipo alguém tossir freneticamente do seu lado, não ter dinheiro pra comprar aquilo que a gente quer ou um encontro com @ boy/girl magia que não acaba como o esperado. E o melhor é que a grande maioria dos espectadores podem se sentir representados nas personalidades das protagonistas: pra organizar a vida e manter tudo nos eixos, a gente acaba sendo certinho como a Honey; ou acaba se sentindo tão despreparado e perdido pra encarar a bad da vida quanto a Alex. E obviamente, quem nunca quis falar umas verdades e teve que ficar calad@ em nome da educação? Pois é, e pra quem já passou por isso, sinta-se acolhido pela Duny, que não tem trava na língua e alivia o nosso coraçãozinho, falando TUDO que sente vontade.

Eu falei que não iria citar The Big Bang Theory né? Mas acabei de mudar de ideia, porque, quando falamos de comédia atual, um dos personagens mais icônicos é o Sheldon Cooper. E não sou a única a pensar assim, visto que o próprio intérprete do personagem (Jim Parsons, te amo!) e os produtores de TBBT colocaram no ar, em 2017, uma série em estilo prequela sobre a infância do físico. Nomeada como Young Sheldon, a série se passa na década de 80 e acompanha a infância do personagem, mostrando o quanto ele já apresentava fortes traços de inteligência desde que chegou no mundo, basicamente. E o que eu achei mais fofinho (além do gurizinho que interpreta o “Sheldon baby”): tem a narração do Jim Parsons complementando os episódios.

Young Sheldon tem um formato diferente da série originária, sendo sem plateia, filmada com uma câmera só e mais focada, obviamente, em um personagem central (ao invés de vários). O tempo de duração, porém, é a mesma média de 20 minutos por episódio, assim como em The Big Bang Theory. Com a primeira temporada ainda em exibição, a série teve uma boa recepção entre os fãs e já foi até renovada para mais uma temporada. Para dar risada com o físico mais fofo EVER e para sentir aquele quentinho no coração causado pelo ambiente nostálgico dos anos 80, vale muito a pena assistir.

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