[TrolandoD20em20] Beowulf – O Blockbuster medieval

Temos uma tendência a admirar épicos medievais, herança de uma cultura europeia, e até os livros mais simples dessa temática nos costumam chamar a atenção. Na literatura contemporânea, Tolkien é a máxima desse fanatismo, e ele mesmo era um fã dos poemas anglo-saxões que moldaram essa cultura. Dentre estes poemas, Beowulf  se destaca por sua antiguidade e misticismo.

Não que o poema de milhares de linhas tenha em sua descoberta uma história fantástica; pouco se sabe sobre quem escreveu, fora resgatado de uma biblioteca em chamas em meio a tantos outros materiais e sua composição chamou a atenção dos pesquisadores do século XVIII. Mas Beowulf é mais que um sobrevivente, é um excelente roteiro másculo de combates corpo a corpo épicos!

Recheada de clichês, a história do jovem guerreiro que nada mais quer além da glória por matar monstros possui um diferencial curioso, que foge a regra das histórias do estilo (mesmo das compostas no último milênio até os nossos dias): a ausência do par romântico. Não há uma princesa em perigo ou uma donzela apaixonada pelo bravo guerreiro. Não há uma mulher esplendorosa que se recusa a dar atenção ao herói para, logo depois de ver seu talento, cair de amores por ele. Nada disso. Beowulf ama a aventura e esta é a única forma de amor que o poema apresenta.

grendel

   Não é só curioso, é intrigante! A única mulher em destaque na trama é uma bruxa horrorosa, mãe de um monstro. E aí vemos que a única beleza que o narrador vê está nos intermináveis e consecutivos confrontos corporais do protagonista. Ao saber que uma criatura devora os participantes das festas de um rei longínquo, Beowulf abandona seu país com alguns companheiros somente para se vangloriar de ter derrotado a criatura com suas próprias mãos. Mas ao matar o monstro que atormentava os salões do reino, ele despertara a fúria de sua mãe. E adivinhem só o que o jovem convencido faz? Claro, desce ao mais profundo poço de uma caverna, enfrenta dezenas de monstros aquáticos só para encontrar a mãe do tal monstro (que é a bruxa de aparência horrível – portanto, esqueça a personagem da Angelina Jolie no filme do Robert Zemeckis sobre o Beowulf) e acabar com ela.

Neste ponto ocorre um pulo brusco para anos à frente, Beowulf já velho e rei do seu distante país. Temos aí uma semelhança peculiar com outro personagem guerreiro, o Conan do Robert E. Howard; suas histórias se alternam entre as do jovem guerreiro que viaja pelo mundo em busca de glória e aventuras e o sábio rei que rege seu governo a partir de sua vasta experiência. E assim como o simério, Beowulf não se contenta somente com o trono, ele quer aventura!

Fonte: camilkuo.deviantart.com

Fonte: camilkuo.deviantart.com

Com a vinda de um dragão para aterrorizar seu povo, Beowulf porta uma vez mais sua lendária espada (que dizem ser a mesma que o Rei Arthur usou para conquistar a Inglaterra) e vai ele mesmo confrontar o monstro, acompanhado do jovem Wiglaf – o clássico aprendiz que substituirá o protagonista; se a ausência do par romântico antevia a também ausência dos clichês, isso se demonstra falso em todo o restante da trama. Ele não percebe que já está velho e não é capaz de matar seus poderosos oponentes como antes, mas o resquício de sua glória permite que ele ceife a vida do dragão, pagando com a sua própria. Satisfeito de ter livrado seu povo da criatura, Beowulf dedica seu último instante de vida a passar a coroa para o aprendiz Wiglaf, e morre com o sangramento de tantos ferimentos.

Embora completamente fictício, o poema cita nomes de reis e batalhas que realmente acontecerem no primeiro milênio de nossa era e possui uma estrutura gramatical complexa para a época. Uma pena não sabermos muito sobre a origem da história, mas vale pelo conhecimento de que o que fazia sucesso mil anos atrás continua em voga!

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Anna Schermak

Anna Schermak

26 anos, Curitibana, Formada em Marketing. Criadora do Pausa Para um Café e Social Media na maior parte do tempo. Apaixonada por cachorros, cafés e bons livros.

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