Saudações! Quem nunca passou horas cumprindo todas as exigências do mestre durante a criação de um personagem? Criou um background digno de Oscar, estudou a melhor forma de adequar a regra do sistema ao estilo de vida do seu PJ, procurou uma motivação extra para fazer com que aquela vida fizesse sentido no mundo projetado pelo narrador para que em poucas aventuras ele vire apenas uma ficha de papel.

Há mais ou menos três meses estava reunido para um dia extra de jogo com meu grupo e o quórum era bem reduzido, havia, porém, um problema! Precisávamos decidir quem seria o mestre, qual sistema para ai iniciarmos a construção das fichas (só quem joga sabe o quanto isso pode ser demorado). Debatemos opções e ficamos algum tempo quebrando a cabeça sobre quantos jogos estavam em andamento, qual a configuração de cada um e tentando ver se poderíamos dar continuidade a algum deles mesmo com poucas pessoas. Certo momento um dos meus amigos (Thiago) perguntou se ele poderia reutilizar personagens que estavam parados devido à sua aventura ter sido interrompida por algum motivo banal. Naquele momento imaginei a cena de uma arquibancada enorme cheia de personagens que eu havia criado durante esses anos todos e que tiveram suas vidas pausadas repentinamente, muitos eram bem parecidos apesar de aspectos e histórias de vida bem diferentes, cada um deles carregava junto aos seus itens uma esfera contendo toda a energia criativa que possuía (seria uma cena linda, se não fosse trágica). Prontamente respondi que SIM e pedi que vasculhassem personagens que eles amassem e que estavam ali, quietos na arquibancada e que remodelassem para o Japão feudal. Assim foi feito!

Até esse dia não havia me dado por conta quantos personagens vem e vão devido à falta de comprometimento dos integrantes de um grupo e algumas vezes até mesmo de seu criador. O Enquanto a Banda Toca (meu grupo aqui em Porto Alegre), tem oficialmente seis integrantes, tendo chegado a oito em alguns momentos e isso fez com que várias histórias fossem criadas, iniciadas e simplesmente interrompidas pela falta dos jogadores. Tenho uma lista em meu computador com todas as aventuras que criei literalmente para nada, passei a chamar essa pasta de Cemitério de Ideias e é lá que muitas vezes recorro para, como um necromante, trazer os mortos de volta a vida. Exatamente, não é vergonha nenhuma reutilizar aquilo que ficou estacionado ou então criar um Golem de Aventuras para iniciar uma nova campanha, ATENÇÃO, eu não estou dizendo para você reutilizar aquele personagem que você tanto amava, mas que morreu inesperadamente em outra aventura, esse já era!

No meu ponto de vista todo personagem criado é uma vida colocada no mundo da imaginação, é uma pessoa completa e que tem objetivos claros a seguir assim como nós! Imagine se neste momento, você simplesmente parasse e assim ficasse eternamente ai olhando para a tela do computador? Você gostaria? Imagine aquele guerreiro que enfim conquistou sua primeira arma mágica e agora está olhando a poeira acumular na bainha, triste não? O filme A História Sem Fim fala exatamente sobre isso, onde os vilões são o NADA e o VAZIO e eles estão acabando com todo o reino de Fantasia! Portanto só tenho uma coisa a dizes, cuide bem dos teus personagens, respeite os dias de jogo e pode ter certeza que tudo será ainda mais divertido. Aos mestres, pensem nisso, às vezes um personagem recuperado pode agilizar o processo de início de jogo e trazer aquele brilho no olhar do seu jogador! Abraços e até semana que vem!  Gostou do assunto, comente! Se quiser sugerir um tópico é só dizer!

 

“Quem nunca chorou, ás escondida ou na frente de todo o mundo, lágrimas amargas porque uma história maravilhosa chegou ao fim e é preciso dizer adeus ás personagens na companhia das quais se viveram tantas aventuras, que foram amadas e admiradas, pelas quais se temeu ou ansiou, e sem cuja companhia a vida parece vazia e sem sentido?”

A história sem fim – Michael Ende

ESSE POST FOI ESCRITO PELO COLUNISTA GABRIEL CAMILLO