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Jhonatan Gomes

Análise – Castlevania Lords of Shadow 2
Análise – Castlevania Lords of Shadow 2

Eu sempre pensava que um jogo de Castlevania começava com alguém escrevendo Drácula num pedaço de papel e trabalhando as ideias dali, só não esperava ele se tornar o protagonista e não o vilão, por si só, essa ideia já vende o jogo. Lords of Shadow 2 é o episódio final na trilogia encabeçada pela Mercury Steam, acompanhado do game original e de Mirror of Fate, jogo de 3DS. É bom lembrar que haverá spoilers que não pertencem a esse mundo e que não são nada mais que uma pilha de segredos.

Vamos começar violentamente, Gabriel Belmont, protagonista do primeiro LoS, se transformou no príncipe das trevas, Dracul! Após muitos anos em um sono profundo, Drácula acorda, sem seus poderes, e se alia à Zobek, a própria Morte, a fim de concretizarem um ideal mútuo: impedir Satã e seus acólitos de destruírem a Terra. Gostaria de mencionar que Zobek é dublado pelo sempre excelente Patrick Stewart, esse cara não cansa de ser foda.

Eu devo dizer que gostei do enredo, foi algo bem construído, com um tom bem pesado e com alívios cômicos na hora certa (que me lembro, só quando se entra em contato com o Chupacabra). Entretanto, tudo aparenta ser exagerado, como se os desenvolvedores tivessem pensado demais e acabaram não fazendo sentido em algumas partes e, fora isso, não acho que história e gameplay casaram e vou explicar a razão.

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Como Dark Souls descreve nossas vidas perfeitamente
Como Dark Souls descreve nossas vidas perfeitamente

Bem, não é segredo pra muitas pessoas que Dark Souls se tornou um dos jogos mais preferidos da minha coleção e um dos títulos mais importantes da geração PS3/Xbox 360. Obrigando o jogador a ter paciência e precisão com sua dificuldade imperdoável, Dark Souls conseguiu, com toda sua simplicidade, ser uma analogia perfeita para nossas vidas diárias. Talvez você duvide ou ache isso um exagero, ok, mas peço alguns minutos do seu tempo pra discutir cinco tópicos que irão, pelo menos, te fazer olhar pra essa possibilidade de forma diferente.

Humildade

Digamos que você acabou de derrotar um boss, vamos com o exemplo de Taurus Demon. Você o derrotou em um confronto direto ou usou o truque da escada pra te salvar algum tempo. Você se sente vitorioso e até deixa uma marca “I did it” no chão. Todo feliz e saltitante você segue seu caminho, acreditando ser forte o suficiente para matar qualquer inimigo que ouse atravessar seu caminho, até que, virando um corredor e entrando em uma ponte, você é derrotado com apenas uma rajada de fogo de um dragão que estava de zoeira por perto. YOU DIED.

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Early Acess: comprando uma possibilidade
Early Acess: comprando uma possibilidade

Eu quero perguntar, primeiramente, aos leitores do Pausa que seguem outros colunistas, de livros ou de séries, tanto faz, qual seria a opinião de vocês se essa sua mídia de entretenimento lançasse um produto que ainda não foi terminado, com a desculpa de que você pode ajudar os criadores desse conteúdo a terminar o projeto. Um livro faltando alguns capítulos ou personagens, um filme de super-heróis faltando os efeitos especiais, um seriado faltando personagens ou cenas. Sim, eu sei que isso seria chato, aliás, a comunidade de jogadores sabe como isso esta sendo chato.

A nova tendência, aparentemente, da indústria é o Early Acess, onde você paga quase o preço normal de um jogo completo em um produto ainda não finalizado. Quase como um beta teste, os jogadores que se atreveram a fazer essa compra podem jogar um game plano, faltando com suas principais características e reportar aos desenvolvedores sobre bugs e outras coisas a serem consertadas ou adicionadas ao jogo. No básico, estamos pagando para fazer o trabalho deles.

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Sexismo, videogames e liberdade de expressão
Sexismo, videogames e liberdade de expressão

Esse talvez seja um dos assuntos mais delicados na indústria dos games, assim como qualquer indústria ou setor da nossa sociedade: o sexismo. Prefiro usar esse termo, pois acredito que o termo “machismo” generaliza demais a situação, colocando todos os homens como culpados, quando nem todos nós apoiamos a desigualdade de sexos.

Uma grande reclamação que vejo ao longo dos anos, da qual faço parte, é a falta de protagonistas femininas nos jogos. Não se engane, temos várias, mas o número de protagonistas fortes, independentes e que não seguem o tão comum truque da “princesa indefesa”, são poucos. Protagonistas como Chell, de Portal, ou personagens fortes como Ellie, de The Last of Us, e Elizabeth de Bioshock Infinite, são uma raridade tão grande, que ficamos apaixonados quando as vemos em cena.

Nós todos podemos chegar rapidamente a uma conclusão: a cultura sexista. Mesmo já dominando grande parte do mercado de games, as mulheres ainda são minoria e a indústria lucra mais com a faixa masculina na adolescência, talvez os mesmos retardados que acham que um Call of Duty por ano é tudo que eles pediam para os Deuses dos videogames, os mesmos que xingam sua mãe de todas as formas possíveis e os mesmos que fazem ameaças de morte no twitter se caso seus jogos não forem do jeito que eles querem. Se você parar pra pensar, esse é o pior alvo para os desenvolvedores agradarem, mas se tem dinheiro, todo mundo fica feliz.

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A importância do survival horror
A importância do survival horror

Acredito que deixei bem claro no passado meu amor pelo survival horror e as razões disso, mas hoje pretendo discutir outro aspecto desse gênero. Mesmo sendo aterrorizante e não amigável com o jogador, o gênero em questão é importante num sentido fundamental para seu público alvo, e talvez até para o resto do público, e eu vou explicar a razão.

Em primeiro lugar, é necessário diferenciar SURVIVAL horror de ACTION horror. Veja que a própria essência de sobreviver é combater as circunstâncias não favoráveis a você e sair vitorioso, apenas para enfrentar outras circunstâncias, talvez ainda mais perigosas, mais tarde. Nos jogos de terror, essas circunstâncias são, geralmente, inabilidade parcial ou total de se defender contra um perigo que é claramente mais forte que você, isolamento parcial ou quase total de outros jogadores ou NPC’s para te dar apoio, ambientação opressora, lhe fazendo duvidar até mesmo de sua própria sombra, etc. Um jogo de terror que contém o elemento de sobrevivência bem destacado, citando exemplos como Fatal Frame, Outlast ou Amnesia, são os jogos que brincam com a sanidade do jogador, entram fundo em sua mente para confundi-la com ansiedade e insegurança.

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