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Literatura

HORROR NOIRE: A REPRESENTAÇÃO NEGRA NO CINEMA DE TERROR

Ágatha Vitória Sales Félix, Marielle Franco, George Floyd. Três vítimas de um racismo brutal e explícito. No caso de George Floyd, nem mesmo a presença de uma câmera, o pedido de clemência da pessoa que filmava e a súplica de George – eu não consigo respirar – foram capazes de deter seus assassinos, que, não por acaso, eram policiais.

Numa sociedade racista tudo é racista. O Estado e o Povo são, e, portanto, o cinema também tem sua cota de racismo.

Horror Noir é, sem sombra de dúvida, o livro mais corajoso na Darkside. Não somente por trazer a discussão tão delicada do racismo na perspectiva do cinema de terror estadunidense mas também por dar espaço à mulheres de negras e acadêmicas num momento de governos de extrema direita e anticiência – vacina chinesa, talkey? – A professora Robin R. Means Coleman e a escritora Ashlee Blackwell são as mentes por trás do documentário e livro.

Se você chegou até aqui, e não leu ao livro ou assistiu ao longa, deve se perguntando por que deveria se aventurar em uma obra como essa.

Primeiramente, eu gostaria de te contar uma curiosidade: O primeiro remédio específicamente para enxaqueca tem cerca de um ano. Antes disso, para o tratamento da enxaqueca era necessário tomar emprestado medicamentos para doenças outras.
Para chegar num combate eficaz à enxaqueca foi preciso estudo e dedicação. No combate ao racismo não é diferente e Horror Noir é um ótimo material de estudo uma vez que a escrita é fluida e acessível.

Em segundo lugar, a obra também é um mergulho profundo na história do cinema, e não somente do cinema de gênero, e mostrando o quanto a cultura pop – se é que assim se pode chamar – ajuda a moldar como uma sociedade pensa. Um exemplo disso, e também um curiosidade agora diretamente ligada ao universo do cinema, em 2018 o filme Infiltrado na Klan, do mestre da sétima arte Spike Lee, adaptou o livro autobiográfico do policial negro Ron Stallworth que literalmente se infiltrou na Ku Klux Klan.

Num dos momentos mais icônicos do longa de Spike Lee, os membros da Kla se reúnem para comemorar suas idéias podres, e além de comer e planejar, eles assistem ao filme, o Nascimento de uma Nação(1915), um filme de terror claramente racista e fruto de seu tempo. Nascimento de uma Nação é conservado como parte da cultura dos EUA até hoje e um dos primeiros filmes dissecados em Horror Noir pela forma peculiar, leia-se extremamente reveladora e racista, que retrata as pessoas negras e seus costumes.

Por último e não menos importante, Horror Noir é um guia de cinema imperdível. Uma vez que nos apresenta a uma pesquisa profunda do cinema de terror estadunidense, discutindo a definição de terror, seus subgêneros, clichês e fórmulas. Há títulos aqui para assistir até o fim da vida.

FONTES:
Remédio:
https://www.google.com/amp/s/www.uol.com.br/vivabem/colunas/danta-senrra/2019/09/14/conheca-melhor-primeiro-remedio-especifico-para-enxaqueca-aprovado-nos-eua.amp.htm

Você é racista, só não sabe disso ainda: https://www.google.com/amp/s/revistagalileu.globo.com/amp/Revista/noticia/2015/10/voce-e-racista-so-nao-sabe-disso-ainda.html

About Author

Straight Edge, Piadista sem ser tiozão, vegetariano, Punk Rock e outros barulhos, porradeiro no beat n up's 16 bits mas na vida praticante da Yoga, leitor relapso, gosto mesmo do slasher mas terror é terror e entro de cabeça em tudo. De esquerda. Amigo da Anna e debatedor/enchedor de linguiça no Pausa pro Horror.

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