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HQ / Literatura

[Resenha HQ] Left 4 Dead: The Sacrifice

Já li HQs que inspiraram séries e filmes, bem como contrário: HQs que foram inspiradas em séries e filmes. Mas tenho que confessar que ainda não tinha experimentado uma HQ baseada em um jogo de video game. Acho que foi daí que surgiu minha curiosidade para conhecer a graphic novel de Left 4 Dead: The Sacrifice.

Sinopse: O quadrinho da Valve Corporation é inspirado nos momentos finais do jogo Left 4 Dead 2 e no que acontece quando os quatro protagonistas – Francis, Louis, Zoey e Bill – são resgatados pelos militares. O objetivo da HQ foi ligar os eventos da última campanha do jogo, a Blood Harvest, a nova campanha DLC (Downloadable Content) da franquia, a The Sacrifice.

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O quadrinho foi claramente feito para quem jogou o jogo. Se você não conhece o cenário, os personagens e a trama você vai se sentir extremamente confuso lendo essa história. E mesmo conhecendo o jogo, a disposição de quadros e organização do roteiro é tão peculiar que é bem possível que você fique confuso mesmo assim.

Muitas coisas me incomodaram nessa história de 178 páginas. Mas, nem toda história consegue ser de todo mal, então temos alguns pontos positivos, também.

1. As onomatopeias

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Essa figura de linguagem não existe só por existir. Ela tem um propósito que é fazer com que o leitor entenda o que está acontecendo e ajudá-lo a entrar no clima da história.

Isso é uma questão de caráter pessoal mas, na minha opinião, “TICK” e “BLAM” não são boas onomatopeias para tiros. Os primeiros quadros da HQ mostram um cenário externo e eu fiquei sem entender, pelos barulhos, o que diabos estava acontecendo no ambiente interno.

2. A arte

Isso não é exatamente algo ruim, só é algo que não funciona muito bem para mim. A arte de Michael Avon Oeming não é um estilo que eu gosto muito. Mas isso é extremamente pessoal. Oeming tem experiência como colorista de algumas edições de Avengers e Daredevil e, fora isso, seu trabalho de maior evidência talvez seja O Monge a Prova de Balas (outro que eu não gostei nem um pouco).

Quem já assistiu o desenho Samurai Jack, pode concordar comigo que a arte de Oeming tem algo em comum com a animação de Tartakovsky.

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Mas o grande problema que eu tive foram as ilustrações confusas, quadros que não priorizam os eventos mais importantes da página e adições de imagens que deveriam servir para criar um clima tenso mas que, simplesmente não funcionam e só conseguem te fazer olhar e pensar “Mas o que é que esses quadros tão fazendo aqui? Pra quê eles servem?”

 

Talvez se essas imagens periféricas fossem maiores ou dispostas mais caoticamente ao redor da imagem principal para tirá-las de foco ou até apresentadas de um jeito mais abstrato, eu não teria grandes problemas com essa página, por exemplo.

Outra coisa que incomoda é quando a cor dos olhos dos Sobreviventes principais muda por motivo nenhum.

3. O roteiro

E esse é o grande problema que eu tive com essa HQ. Eu entendo a ideia do “feito para fãs”, mas acho que mesmo fãs do jogo vão ter problemas para se localizar nessa história. Se você não conhece o jogo, nem tente. Os personagens principais são apresentados todos ao mesmo tempo, uns por cima dos outros sem qualquer introdução separada e com flashbacks soltos que não conseguem se prender na linha principal da narrativa.

Foi o grande elogio que eu tive a fazer no post sobre a HQ de Battlestar Galactica. Mesmo estando diretamente relacionada a história do seriado, só lendo a graphic você consegue conhecer os personagens e compreender a história sem qualquer problema.

4. Balões de diálogos

Se você vai usar balões e letras especiais para alguns personagens, use para os recorrentes, para os que aparecem mais. Não para personagens terciários e quaternários que aparecem em um quadro e nunca mais. Nunca tinha visto um HQ fazer isso: dar letras especiais para personagens sem qualquer importância e tenho que dizer que é extremamente confuso.

5. Cenas de impacto

Tiveram alguma legais. Frases de efeito, feitos impressionantes da parte dos personagens e cenas que te surpreendem são as coisas que conseguem prender a atenção do leitor e The Sacrifice até conseguiu atingir esse objetivo em algumas cenas.

6. Falta de realismo

Eu sei que histórias podem ser fantásticas e pronto. Mas não importa com quantos argumentos você tente me convencer: um cara apresentar um monólogo inteiro enquanto está caído no chão com as mãos de um zumbi prendendo sua cara por quadros a fio simplesmente não é o tipo de coisa que eu consigo ver sem achar bobo.

7. Erros de continuidade

Qualquer site de fãs da franquia do jogo vai te apontar um monte. Aqui estão algumas das falhas:

– Os olhos dos sobreviventes mudam de cor sem motivo algum.

– Ao contrário do jogo, o personagem Francis não tem tatuagens no pescoço e braços e sua cabeça não é raspada. Fica difícil reconhecê-lo. (Eu disse que era confuso, não disse?)

– Durante a cena da casa de campo, as armas dos Sobreviventes mudam aleatoriamente.

– O resgate dos Sobreviventes não faz sentido. Primeiro, os militares parecem surpresos e satisfeitos pelo fato de haver sobreviventes, depois eles os deixam presos e os tratam como criminosos. O leitor fica sem entender nada.

– A sequência da casa de campo acontece à noite na HQ e durante o nascer do dia no jogo.

– Na primeira parte da comic, Bill usa uma AK-47, arma que não está disponível no jogo.

Bem, essa é uma visão geral.

Mas se você curtiu o jogo e está a fim de experimentar o DLC, a comic de The Sacrifice vai te ajudar a entrar no clima da aventura. Leia com calma e sem pretensão. E aproveita que tá de graça no Comix.

About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

1 Comment

  • Pedro
    23 de dezembro de 2014 at 21:30

    o “tick” na verdade é devido ao som da metralhadora que tem no jogo, que aliás ficou bem parecido.

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