Nós – Uma Antologia de Literatura Indígena (1)

19 de janeiro de 2020

Tratando dos mais diversos temas, mitos, histórias de amor e mistério, as narrativas de “Nós”, reúne dez histórias escritas ou recontadas por escritores indígenas, “legítimos herdeiros de diferentes etnias, que oferecem uma oportunidade de desatar alguns desses ‘nós'”.

Os autores são cada um de uma nação indígena diferente, Mebengôkre Kayapó, Saterê-Mawé, Maraguá, Pirá-Tapuya Waíkhana, Balatiponé Umutina, Desana, Guarani Mbyá, Krenak e Kurâ Bakairi. E cada história é finalizada com um glossário e uma espécie de mini biografia da origem da etnia do autor.

As narrativas são voltadas para o público infantojuvenil e nos contam de uma maneira simples, porém profunda, a relação que cada povo tem com a natureza, com os astros e os animais. A menina Yacy-May era tão especial que fez com que o sol se apaixonasse por ela, deixando a lua enciumada. O peixe-boi surgiu a partir da união de Guaporé, filho do grande chefe dos peixes, com Panãby’piã, filha do governante dos Maraguá, e sinalizou a paz entre os humanos e os peixes. A velha misteriosa Pelenosamo tem um dia a casa invadida por uma garota curiosa, que resolve investigar o que ela fazia com os galhos secos que sempre levava recolhia e não dividia com ninguém. 

Para além da beleza das narrativass, assim como das ilustrações que compõem a edição, esse livro se faz importante não só pela genuinidade das histórias, mas por justamente resgatar a nossa ancestralidade, dando a oportunidade para o jovem urbano de hoje conhecer e valorizar as raízes da nossa cultura, que é tão desrespeitada, e pior, desconhecida.

Maurício Negro, organizador e ilustrador da edição, nos alerta que “a importância em acolher, proteger e conhecer todas essas identidades é maior que se imagina. Os indígenas podem (…) ajudar a redesenhar a paisagem que a sociedade vigente desfigura; a recuperar valores essenciais de convívio, compreensão e comprometimento para enfrentar as dramáticas alterações que causamos aos biomas, à fauna e ao clima; mostrar que os atuais padrões de consumo são insustentáveis e que modelos políticos e econômicos são incapazes de produzir uma sociedade justa, saudável e digna para todos.”

Ou seja, o livro propõe restabelecer uma conexão com a nossa origem, para que possamos entender essa diversidade e a dimensão  desse patrimônio natural e cultural. E isso dialoga diretamente com o que está acontecendo hoje no país, com as queimadas na Amazônia, com a perseguição e o genocídio de povos indígenas. E é um convite a repensarmos os valores que cultivamos e a maneira como vivemos, e como eles podem impactar a natureza.

“A chamada literatura indígena carrega esse desejo profundo de reatar e fortalecer os laços entre nós, de uma sabedoria antiga, cujos ecos ainda estão por aí pedindo reforço em palavras e imagens.”

Recomendo!

Onde Comprar: Amazon Editora

Páginas: 128 | Lançamento: 23/08/2019 | ISBN: 9788574068640 | Editora: Companhia das Letrinhas

Ilustrador e organizador: Mauricio Negro

{ Esse livro foi enviado pela Editora Companhia das Letras para resenha no blog e esta postagem é um post pago.Em compromisso com o leitor, sempre informamos toda forma de publicidade realizada pelo blog 

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  1. Grato pela menção, gente! Boa leitura a todos. Deixo meu abraço.

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