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Literatura

[Resenha] A Idade dos Milagres de Karen Thompson Walker | @cialetras

Tentarei ser imparcial sobre este livro. Visto que, não sou o publico alvo e de longe é um dos meus gêneros favoritos.  Então, obviamente não fui muito com a cara do livro, o que me fez demorar demais para lê-lo.

A Idade dos Milagres, é um romance (ou distopia?) que nos mostra o que pode ser um possível apocalipse, sob a visão de uma garota que inicia e atravessa a adolescência neste momento complexo da vida sobre a Terra. Inexplicavelmente, o planeta começa um processo de desaceleração da rotação. Por consequência, os dias começam a se alongar. Esse, foi o motivo que me fez escolher o título, quando a Cia das Letras enviou as opções de lançamento do mês. Uma visão diferente da modinha que atingiu muita gente quando o livro foi lançado (antes da onda de livros +18).

O acontecimento da desaceleração não muito explorado. Ele simplesmente acontece. Não se sabe por quê, não se sabe se ele termina, se volta ao normal, ou se há uma solução. Apesar de, a vida e a rotina pós-apocalipse (?) chega a ser mostrada em um nível mas profundo, por exemplo, como as pessoas passam a conviver com o dia (compreendido entre o período de luz solar, e de escuridão), chegando a 72 horas de duração, ou como a pessoas passam a conviver com a falta de alimentos que dependem da luz do sol para se desenvolver. Nesse ponto até que as coisas cumpriram com o prometido.

Mas, o ponto forte do livro mesmo, é a vida, os alentos, os problemas e dúvidas encaradas por Julia, uma garota de 11 anos (quando o evento da desaceleração ocorre) que está entrando na adolescência. É praticamente o relato dos acontecimentos que ela enfrenta, como os problemas na escola, a solidão, bullying, o primeiro amor, a traição do pai, a morte do avô e muitas outras coisas.

Até que a autora consegue manter o equilíbrio entre os acontecimentos do mundo e a vida de Julia. Mas, ainda fica aquele estigma de livro para crianças/adolescentes, com um quê de aprendizado para esta faixa etária.

Eis o problema então. A capa/marketing/etc, vende mais a ideia de um possível fim do mundo pela paralisação do planeta, do quê a vida da pequena Julia. E não é o que o leitor encontra. O que acaba causando um conflito de público-alvo, e alguns leitores frustrados.

A autora possui um estilo de escrita interessante e bem construído. Ela consegue passar nas palavras a dor, a melancolia e a solidão de Julia. O projeto gráfico é bacana, o livro tem uma capa bonita (que brilha no escuro), e com as páginas no amado Pólen Soft.

Para o público correto, pode ser um grande livro. Leva 3,5 xícaras de café com creme, pela habilidade da autora em traduzir tão bem a melancolia em palavras.

A Idade dos Milagres de Karen Thompson Walker

Sinopse: Em um sábado aparentemente comum, na Califórnia, Júlia e sua família acordam e descobrem, com o resto do mundo, que a velocidade de rotação da Terra está diminuindo. Os dias e as noites vão ficando mais longos, fazendo com que a gravidade seja afetada e o meio ambiente entre em colapso. Pássaros desorientados caem mortos do céu, centenas de baleias encalham na praia, as marés saem de controle. Enquanto alguns entram em pânico, outros procuram viver como se nada estivesse acontecendo, agarrando-se a qualquer custo à sua rotina e ignorando a evidência de que o fim do mundo se aproxima. Ao mesmo tempo que luta para sobreviver às mudanças e se adaptar à nova “normalidade”, Júlia tem que lidar com os problemas típicos da adolescência e os desastres do cotidiano: a crise no casamento de seus pais, a perda de antigos amigos, as amarguras do primeiro amor e o estranho comportamento de seu avô, que acredita que tudo se trata de uma conspiração do governo e passa os dias catalogando suas posses obsessivamente. Com uma prosa econômica e prazerosa e a sabedoria emocional de uma contadora de histórias nata, Karen Thompson Walker criou uma narradora singular em Júlia, uma garota forte e perspicaz. Entre as tradições do romance de formação e do filme catástrofe, A Idade dos Milagres é uma obra visionária que discute a capacidade de adaptação do homem, traçando um retrato comovente da vida familiar em um mundo gravemente alterado.

About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

11 Comments

  • Juliana Xavier
    12 de novembro de 2012 at 19:22

    A capa brilha no escuro?? *-* Aquela que é tão fascinada com capas que até esqueceu do resto da resenha! hahaha…

    Eu não sou fá dessas coisas sem explicação não (aliás, acabei de publicar a resenha de A Garota dos pés de vidro, e me irritei muito com isso). Nesse momento, não arriscaria a leitura do livro.

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  • Monica Silva
    13 de novembro de 2012 at 03:37

    Concordo com a Juliana, sem explicação não rola. Sem contar que usar o fim do mundo como pano de fundo pra contar problemas de adolescente não é nada interessante. Esse livro realmente não atraiu, nem a capa acho que faria milagre. rsrsrs

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  • Fernanda Yano
    13 de novembro de 2012 at 11:15

    Não é do tipo de leitura que gosto, a resenha tá ótima, e deu pra ver que realmente não me interessaria pela leitura.
    Quanto a capa, também não me chamou a atenção.

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  • Thaty
    14 de novembro de 2012 at 00:11

    Acho que já passei da fase de ler livros sobre o comportamento adolescente e além do mais não vi uma química entre esse tipo de pós apocalipse (?) e a vida de uma adolescente.

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  • Eduardo
    15 de novembro de 2012 at 16:56

    A ideia é interessante, mas acredito que o livro fica limitado pelo apelo ao público adolescente, que vai mais facilmente se identificar com a personagem. Poderia, diferentemente, ter dado origem a um belo livro de ficção científica, até mesmo com dramas pessoais, mas não necessariamente adolescentes.

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  • Karol Alencar
    16 de novembro de 2012 at 23:44

    O livro me ganhou na capa que brilho no escuro! kkkkkkk.
    E acho que eu faço parte do publico alvo, sei la… gosto de livros assim, talvez pq eu tenha um filho adolescente, ou pq eu mesma não cresci ainda, sei la.. rsrs
    ótima resenha!
    bjus

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  • Layse Hana
    16 de novembro de 2012 at 23:54

    Oh God a capa brilha no escuro uma dessa nunca tinha vista!!!!!!!
    Não curto muio distopias acho q o único que gosto é “The Host”…mais esse não parece ser um dos piores!
    parabéns pela resenha!
    xoxo

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  • Biia Rodrigues
    17 de novembro de 2012 at 00:10

    Eu tinha algo meio “contra” tudo que poderia ser classificado como distopia, até ler uma, depois disso fiquei com vontade de ler outras. A ideia do livro é bem interessante e mais ainda em ver isso através dos olhos de uma menina que ainda esta no inicio da adolescência. Essa é a segunda resenha que leio desse livro, na primeira comentei que não leria ele porq não é meu estilo de leitura, agora tenho que dizer que com certeza eu leria rs

    Reply
  • Cris Aragão
    17 de novembro de 2012 at 02:49

    Eu adorei o título desse livro, mas realmente é complicado quando o livro não cumpre o que promete; pela capa e pela sinopse parecia ser tão mais interessante. Agora, com essa capa que brilha no escuro eu não ia poder ler antes de dormir porque acredite ou não qualquer luminosidade atrapalha o meu sono.

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  • Fernanda Faria
    19 de novembro de 2012 at 02:32

    Adorei a sua resenha, mas eu não curto muito livros de distopia ;S Gosto de romance, mas acho que sei lá, não me interessaria no momento, talvez mais pra frente quando eu aprender a curtir distopias. haha

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  • Gladys Freitas
    19 de novembro de 2012 at 23:03

    Esse é o primeiro livro sobre distopia que fiquei interessada.

    Fiquei interessada pela trama e gostaria de lê-lo.

    A capa é interessante, 😉

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