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Literatura

[Resenha] O Homem Visível de Chuck Klosterman | @BertrandBrasil

Um livro que você precisa ler de mente bem aberta, intrigante, inteligente e além de tudo genial!

 A terapeuta Victoria Vick é contatada por um homem que acredita viver uma situação ímpar e exige que suas sessões se deem por telefone. Ela aceita, mas, com o avançar das conversas, ele se revela um homem enigmático, o que a faz se convencer de que ele está delirando. Y____, como ela decide chamá-lo, é um homem inteligente, bem-educado e culto, e alega ser um cientista que vem utilizando uma tecnologia de camuflagem. Ele afirma que é impossível para qualquer pessoa vê-lo enquanto usa o traje que desenvolveu, mas foge do termo “invisibilidade”.

A um só tempo lúcido, tenso e divertido, o romance O homem visível, de Chuck Klosterman, trata de diversos temas da modernidade – como a importância da cultura, a influência da mídia, o voyeurismo e a contradição existente em ser uma pessoa considerada “normal”. Quando publicado nos Estados Unidos fez enorme sucesso, sendo aclamado pela crítica e pelos leitores.

Mais do que um romance sobre um homem com uma possível habilidade especial, O homem visível analisa dois lados de uma mesma história: as atitudes das pessoas quando não estão sendo vistas, e a conduta ética de quem está observando sem ser visto. Klosterman criou um paralelismo entre o voyeurismo e desejo ardente de assistir o sofrimento alheio, ambos presentes tanto no livro quanto na sociedade.

No fim, o livro fará o leitor refletir: é possível alguém se tornar invisível aos olhos de uma sociedade que busca cada vez mais descobrir, neste mundo midiático e repleto de informação, o que se passa na vida alheia?

O que passa despercebido aos nossos olhos? O que deixamos passar simplesmente por enxergar aquilo que queremos ver? Lembra daquela música “O que você faria, se ninguém pudesse te ver?” Onde você chegaria, ou melhor… até que ponto você chegaria em prol das suas pesquisas? O que, ou quem você é de verdade?

É impossível negar que o mal do mundo é a solidão, estamos cada dia mais conectados e mais antenados ao que está acontecendo ao redor do globo e cada dia mais sozinhos. Somos sozinhos, preferimos ficar em nossos computadores, celulares, tablets, ter a nossa vidinha do que ter a convivência?

E não estou sendo hipócrita. Nesse momento EU MESMA estou isolada no meu quarto enquanto poderia estar na companhia da minha família e mesmo assim, fazendo a resenha do mesmo jeito. Eu gosto da solidão.

Vamos ser realistas… as vezes outras pessoas irritam.

Mas eu sei o mal que a solidão nos faz, o quando é triste e o quanto a vida pode passar a não ter sentido simplesmente porque não temos para quem contar que atingimos tantos curtirs no facebook.

Nossa vida pode ser sozinha até certo ponto.

E todo esse momento crônica do dia serviu apenas para colocar vocês no clima do livro.

Esse livro fala sobre vários assuntos. Principalmente a solidão e a nossa visão sobre o mundo. É aquilo que falei no início da resenha. O que deixamos de perceber simplesmente por aquilo fugir do padrão que estamos acostumados… quantas pessoas leram esse livro e não entenderam o seu real sentido.

Ele pode ser simplesmente uma ficção, algo que não aconteceria na vida real. Mas calma ai. Pode não se conseguir inventar um traje como esse, mas e as pesquisas de vários doutores sobre simplesmente usar uma roupa diferente, colocar um chapéu e passar despercebido das pessoas… simplesmente porque elas não estavam acostumadas a notar aquelas pessoas.

Aqui, Y____ (ou Ygor como eu o chamei enquanto lia) é alguém muito inteligente. Alguém que muitas vezes (ou sempre) prefere a solidão do que o convívio, mas tem algo que ele gosta… e esse algo virou o estudo da sua vida. As pessoas. As pessoas são interessantes, mas mais interessantes ainda quando elas estão sozinhas e podem ser elas mesmas.

É só isso que O Homem Visível fala. Não sobre como ficar invisível, não é uma ficção científica, não é sobre uma conversa com o psicólogo ou sobre um cara com sérias tendencias sociopatas.

Esse livro é sobre eu… sobre você e sobre o que fazemos com a nossa vida. Quem é você quando ninguém está te vendo? Quem é você quando está sozinho(a)?

Chuck Klosterman conseguiu seu lugar ao lado de Chuck Palahniuk na minha estante. Ele merece estar ali.  Chuck estreou com tudo no Brasil e eu já virei sua fã, Bertrand pode trazer todos os seus livros que com certeza eu lerei todos!

Chuck conseguiu me fazer pensar, com uma narrativa lenta e sincera, onde após terminar a leitura eu fiquei quase uma hora só pensando na minha vida.

O livro é sincero, verdadeiro e trás com uma narrativa diferente e descomplicada uma forma diferente de apresentar o personagem Y____ para os leitores. Conhecemos ele pelos olhos de sua psicologa. E descobrimos que conseguimos saber quem é o Y___ independente do seu próprio julgamento.

Um livro que eu indico a todos, corram e comprem. Aproveitem que um dia vocês vão se lembrar muito deste livro.

A edição tem uma capa LINDA! Esses olhos são todos em relevo o que deixam o livro com um toque completamente diferente, nojento as vezes mas perfeito!

A diagramação é normal da Bertrand mas com folhas amarelas (YES!!!)

O livro ganha merecidas 5 xícaras de coca-cola já que Y____ não toma café! Aproveitem essa leitura ela é mais do que recomendada, com certeza o melhor livro que li em Janeiro!

About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

8 Comments

  • Kelry Caroline
    3 de fevereiro de 2013 at 02:34

    O autor é lindo rs, a historia me chamou muita atenção, o livro esta na minha lista!

    Reply
  • Talita Silva
    3 de fevereiro de 2013 at 18:17

    Uau, sessões por telefone – e lá se vai todas as árvores do mundo para a conta de telefone. Adorei a sinopse do livro, ele é daqueles livros que eu compro só pela sinopse, a capa dele também é incrível, então isso ajuda também. Essa madrugada eu vi um vídeo do Deivison Pedroza “On ou OFF – De que lado você está?” que ele falava exatamente isso. Tenho um problema sério com preferir a solidão a o convívio, na maioria das vezes prefiro à solidão ai as pessoas te olham como você fosse uma sociopata. Pessoas de olhos claros e de terno, como não amar? Hahaha Eu não sei quando vou poder ler o livro mas espero que seja logo, assim que eu conseguir um bom desconto o livro vem pra casa.

    Reply
  • Bruna Morgan
    3 de fevereiro de 2013 at 18:18

    Com certeza comprarei esse livro *-*, sua resenha ficou ótima!

    Reply
  • Eduardo
    4 de fevereiro de 2013 at 00:29

    Gostei desse livro, achei que ele envereda por um lado interessante
    que é pensar sobre a nossa própria vida. A solidão tem seu lado bom e
    seu lado ruim. Não à toa Schopenhauer formulou aquela parábola
    interessante dos porcos-espinhos com frio: precisamos dos outros para
    nos aquecer, mas não a ponto de nos espetarmos…

    Outro dia li um artigo de Lee Siegel no Estadão sobre isso:
    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-ser-intimo-em-fuga-,986563,0.htm

    Posso não concordar com tudo o que ele diz, aliás, achei a realidade
    do Brasil um pouco parecida com americana, sem deixar de lado as
    características latinas. E cheguei à conclusão que talvez a tecnologia
    tenha nos dado uma distância conveniente entre o conviver e não
    conviver. Tudo está a simples login ou o logoff, coisa que não podemos
    fazer na vida real.

    O livro também parece abordar a questão das percepções. A verdade é
    que a gente só vê o que interessa. E esse é um problema, porque
    podemos deixar de ver aquilo que é importante, mas que não julgamos
    que seja. Para que enxerguemos melhor, é preciso que despertemos a
    nossa consciência. Enriquecer nossa mente com novas ideias. Ler ajuda
    muito, sabemos o quanto!

    Também parece ser um dos assuntos principais o comportamento humano,
    que é muito complexo: privacidade x publicidade. Não somos os mesmos
    na intimidade de nossos lares e quando estamos reunidos com outras
    pessoas. Claro que há elementos em comum, não somos Dr. Jekyll e Mr.
    Hyde, mas quase… Digamos que somos mais livres, e por isso podemos
    ser nós mesmos, como o Super-Homem de Nietzsche, sem regras,
    restrições, limites, sem a “polícia” dos outros.

    Leio bastante porque gosto de observar muito o comportamento humano,
    através das situações vivenciadas pelos personagens, então me
    identifiquei muito com o protagonista. Considero os melhores livros
    aqueles que nos emocionam e/ou que provocam muitas reflexões. Esse sem
    dúvida parece ser um deles!

    Reply
  • Monica Silva
    5 de fevereiro de 2013 at 03:35

    Que resenha deliciosa! O livro me ganhou, me deixou curiosa. É certo que está na lista dos próximos livros. Obrigado!

    Reply
  • Aymée Meira
    6 de fevereiro de 2013 at 22:49

    ahhhhhhh eu quero. eu já babava por ele nas livrarias pela capa… ao saber mais do conteúdo… e você ter deixado ele ao lado do chuck… hmmm deve ser uma ótima pedida. o/
    beijos, Anninha.

    Reply
  • Ester Ribeiro
    12 de fevereiro de 2013 at 12:50

    Eu quero muito ler esse livro!!

    Reply
  • Zoio
    4 de setembro de 2018 at 21:57

    O livro é bem bom a história é intrigante, perfeito pra quem tem fobia social, chega a ser divertido, mas o final é de doer pouco trabalhado e não fecha a história como deveria. 2/5

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