Se a Rua Beale Falasse, James Baldwin

Se a Rua Beale Falasse, James Baldwin

“Com o Harlem da década de 1970 como pano de fundo, Se a rua Beale falasse conta a história de amor de um jovem casal negro, Tish e Fonny, que é interrompida quando o rapaz é acusado por um polcial de ter estuprado uma porto-riquenha, embora não se tenha prova que o incrimine. Nesse meio tempo, Tish descobre que está grávida, e convicta da honestidade do noivo, ela mobiliza a família e advogados na tentativa de libertá-lo da prisão.”

Esse livro foi lançado originalmente em 1974, e faz parte da grande e renomada obra de James Baldwin. Recentemente foi adaptado para o cinema, e aqui teve uma nova edição do livro pela Companhia das Letras com tradução de Jorio Dauster e posfácio de Márcio Macedo.

O plot do livro, em resumo, é Tish lutando sem medir esforços para provar a inocência de Fonny, a narrativa é em primeira pessoa, sob a perspectiva dela e é também não linear. Mas além de uma história de amor trágica, e bonita de certo modo, o livro traz questões muito mais profundas, “ao revelar as incertezas do futuro, a trama joga luz sobre o desespero, a tristeza e a esperança trazidos a reboque de uma sentença anunciada em um país onde a discriminação racial está profundamente arraigada no cotidiano.”

James Baldwin foi uma importante personalidade a frente dos movimentos dos Direitos Civis durante a década de 60 nos Estados Unidos, junto a outros grandes nomes já conhecidos como Martin Luther King, Malcolm X, Medgar Evers, etc. Suas histórias tem sempre aquele olhar crítico e questionador sobre os debates acerca da raça, sexualidade e vários outros. Em Se a rua Beale falasse não poderia ser diferente.

De uma jeito bem delicado, Baldwin abre as discussões sobre a vida do negro nos EUA e dois assuntos bastante complexos da História afro-americana estão intrínsecos na trama, destacando uma jornada que mistura sofrimento e esperança. Com o fim da Era Jim Crow (leis que regulamentavam a segregação racial, que vigorou de 1876 a 1965), a sociedade branca e conservadora americana não sabia exatamente como lidar com a sociedade afro-americana como indivíduos integrados, e alguns “meios para contê-los” foram surgindo, como formas de marginalizar e segregar ainda mais o negro na sociedade americana. Um deles, que é um problema ainda hoje muito discutido não só nos EUA como aqui no Brasil também, é a questão do encarceramento em massa, e o do mito do estuprador negro que se deu pela hipersensualização de seus corpos. (Ambos assuntos abordados por ninguém menos que Angela Davis, de forma mais aprofundada).

“Agora o Fonny sabia porque estava lá, porque estava onde estava. (…) Não estava ali por nada que tivesse feito. Sempre soube disso, mas agora sabia de um jeito diferente. Durante as refeições, os banhos de chuveiro, subindo e descendo as escadas, à noite, antes que todos fossem trancados novamente, olhava para os outros novamente, escutava: o que eles fizeram? Nada de mais. Fazer muito é ter o poder de pôr aquelas pessoas onde estão, e ali mantê-las. Esses homens cativos eram o preço oculto de uma mentira oculta: os seres dignos deviam ser capazes de definir os indignos. Fazer muito é ter o poder e a necessidade de se impor aos amaldiçoados. Mas isso, pensou Fonny, era uma via de mão dupla. Ou você está dentro, ou você está fora. Muito bem, entendi. Filhos da puta. Não vão me enforcar.”

Além disso, o livro nos faz pensar sobre colorismo e como isso pode interferir nos privilégios, sobre masculinidade hegemônica e estereótipos étnicos. Em termos de narrativa, acho que alguns personagens ficaram carentes de aprofundamento, e os acontecimentos finais poderiam ter sido melhor desenvolvidos. Em todo caso, Se a rua Beale falasse consegue dizer muita coisa em poucas páginas, James Baldwin é muito preciso em sua abordagem e a leitura de sua obra se faz mais do que proveitosa.

Recomendo!

Onde Comprar: Amazon – Amazon Kindle – Submarino Site da Editora

ISBN-13: 9788535931945 | ISBN-10: 8535931945 | Ano: 2019 | Páginas: 224 | Editora: Companhia da Letras

James Baldwin foi o primeiro escritor a dizer aos brancos o que os negros americanos pensavam e sentiam. Chegou no auge de sua fama durante a luta dos direitos civis no início da década de 60. Tornou-se mais famosos pelos ensaios do que pelos romances e peças teatrais, mas apesar disso queria se tornar um ficcionista, considerando seus ensaios um trabalho menor. Nos primeiros livros estão as melhores amostras do seu talento: Go tell it on the mountain (1953), Giovanni’s room (1956) e Another country (1962). os dois últimos tornaram-no famoso como o pioneiro de uma nova liberdade sexual. Apesar de escrever e estudar sobre as correspondências entre medos sexuais e raciais, Baldwin era basicamente um puritano que professava a primazia do autoconhecimento em todas as relações humanas.

{ Esse livro foi enviado pela editora Companhia das Letras. para resenha no blog. Em compromisso com o leitor, sempre informamos toda forma de publicidade realizada pelo blog 

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Nayane Moura
Nayane Moura

Sou Nayane Moura, mas podem me chamar de Nay. Tenho 25 anos. Nascida e criada na Terra da Luz. Minha casa é meu Reino. Não há nada melhor que o aconchego do lar. Mas adoraria conhecer o mundo e suas maravilhas. Adoro seriados e filmes. Livros são minha paixão e as melhores companhias.

1 comment

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  1. Ariela

    26 de junho de 2019 at 13:25

    Quero muito ler esse livro e ver o filme…muito interessada na historia e o filme só vi elogios.

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