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[TrolandoD20em20] Criaturas e Mitos: Bruxos

A mesa de jogo está pronta, as fichas estão preenchidas, os dados preparados, os jogadores posicionados. A partida de RPG vai começar e, ministrando ela, está o mais detestado dos jogadores: o mestre! E este odiado indivíduo controla nada menos do que um bruxo manipulador, lançando empecilhos para os aventureiros e ditando as regras do combate. O verdadeiro vilão do jogo, acima dos espíritos, demônios, trolls, e goblins, geralmente não possui qualquer ficha técnica ou história de origem. De onde vem, então, temível ameaça?

A princípio, é bom que distingamos os bruxos dos magos. Ambos possuem uma origem semelhante que, diferente dos dragões, têm seus representantes reais atuando no passar dos séculos, mas evoluíram no mito popular de forma distinta. Uma mesa de RPG pode contar com qualquer um dos dois, tendo o mago adquirido maior potência nos últimos anos, mas são os bruxos quem conseguiram permear o imaginário coletivo com maior força no passado.

Sua origem é extremamente mais remota do que a dos dragões, mas a sua forma final foi fixada mais recente que a dos lagartos alados, elevada de modo vilanesco na sombria Idade Média, fonte inesgotável de mitos arcanos e bizarros. As primeiras formas de bruxaria são encontradas nas tribos africanas no alvorecer da humanidade, quando os homens pintavam nas cavernas as formas de suas caças como um ritual que garantiria o sucesso da empreita. A partir de então, outros ritos que atendessem as necessidades do homem primordial foram se desenvolvendo, como a queima de determinadas ervas ou o enterro dos ossos de humanos junto a de outros animais. As tribos polinésias retiravam os ossos das baleias e os entregavam a indivíduos específicos, que se diziam detentores de poderes mágicos, para que os abençoassem e os entalhassem para então repassá-los aos demais aldeões como amuletos de sorte, protegendo-os das tempestades no mar.

As primeiras formas de magia e bruxaria eram especificamente benéficas, mas não tardou para que o homem as deturpassem de forma a prejudicar o inimigo. A figura do homem mítico dentro da aldeia, um tipo de xamã (ou pajé, como é conhecido nas tribos indígenas brasileiras), foi fixada, tendo como obrigação zelar pelo bem de seus irmãos e conhecer os mistérios espirituais que pudessem interferir no sucesso das tribos que os pudessem ameaçar. Tal função, geralmente designada a um único homem no grupo, expandiu para grande parte das culturas, tendo seus representantes nos gregos (como oráculos), nos celtas (como druidas), nos judeus (com a cabala), nos persas (com o zoroastrismo) e assumindo forma de uma sociedade praticamente a parte com o paganismo. E é este último quem mais contribuiu para as lendas dos bruxos, embora involuntariamente.

Desde os tempos babilônicos existiu nas sociedades mais elaboradas o temor e a reprovação aos rituais mágicos, em contraste aos povos tribais, nômades e bárbaros, onde a bruxaria alimentava a superstição – o homem selvagem precisava de entidades míticas ligadas a natureza para sobreviver, o homem da sociedade organizada a repudiava. A Idade Média caminhava para o seu fim, tendo visto desgraças colossais assolarem cidades, a Peste Negra ainda recente na memória coletiva e a Santa Igreja manipulando o destino dos reinos. A alegria, neste cenário obscuro, era praticamente profano, tanto que a gargalhada era condenada pelos padres como sendo obra de Satanás. Tal crença perdurou por séculos, esgueirando-se nos mais diversos contos. Era regra que os demônios gargalhassem nos contos em que levavam para o inferno pobres almas e, além disso, quem nunca viu um filme onde a bruxa malvada portasse um temeroso sorriso no rosto?

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Vendo que alguns de seus fiéis buscavam soluções para suas vidas tristes em ritos mágicos ou superstições extra-bíblicas, deixando de lado as indulgências dos santos católicos, a Igreja se viu frente aos mitos pagãos que vinham das regiões germânicas e célticas, bem como releituras da mitologia greco-romana inseridas no cotidiano das famílias. O levante da Caça às Bruxas, no século XV, transformou qualquer vizinho que pedia a Pã por uma boa colheita em bruxo e qualquer símbolo distinto em bruxaria. Os julgamentos com testes ridículos para provar se alguém era bruxo ou não levou milhares de pessoas às fogueiras e cravou o medo e o mito das bruxas para sempre na história. Tornaram-se culpados de qualquer fatalidade, inclusive da própria Peste Negra, e ganharam seu título de vilões, opositores ao bem e a ordem.

Tendo sido associados sempre à desordem e ao caos, passaram os dois séculos seguintes escondidos, com esporádicas aparições. Muitos foram associados à alquimia, vertente científica e mágica que ganhou muitos adeptos após a Inquisição, mas que, assim como os pagãos, também foram queimados pela Igreja.

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Tal histórico moldou o bruxo como aquele associado à magia negra e à interação com a natureza de forma profana. As barbas longas, as vestes escuras, foices e cajados fariam parte de sua concepção, cada um remetendo aos ritos obscuros efetuados na calada da noite. O bruxo, neste conceito, é aquele homem que possui poderes variados e poucas limitações, podendo ser associado a qualquer tipo de malefício. Pode se transformar em animais e objetos para se disfarçar ou viajar a longas distâncias e geralmente possui um pacto com alguma entidade sobrenatural sombria, de onde adquire seus poderes. Suas limitações são praticamente nulas, mas está fadado ao fracasso final pela benção dos homens de bem, mesmo que não possua fraquezas.

Diferente da grande maioria dos mitos, a crença na bruxaria não se extinguiu com o Iluminismo e a Idade Moderna. A presença de bruxos nos tempos atuais é vastamente conhecida, principalmente com a popularização do neopaganismo na Wicca. Aleister Crowley, famoso bruxo da Ordem Hermética do século XX, é homenageado ainda hoje por escritores pagãos, apoiadores da Sociedade Alternativa e bandas de heavy metal. Os bruxos continuam a andar em nossa sociedade e ainda nos deixam em dúvida sobre suas reais situações.

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Existe maior perigo do que um conhecimento oculto efetuado por alguém tão inteligente quanto eu e você, ou ainda mais? Não é à toa que qualquer monstro que nossos guerreiros possam enfrentar não passa de um fantoche em suas mãos!

 

 

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