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Literatura Nacional

[TrolandoD20em20] Música fora de convenção!

Ok, eu sei que a música durante a sessão de jogo é um tema bastante batido, mas eu gostaria de trazê-lo novamente à tona como o primeiro texto meu aqui na coluna do TrolandoD20em20, no Pausa para um Café.

Antes de tudo, vamos consolidar o conceito. A música em sessão de jogo, assim como filmes, seriados e até videogames, serve para trazer maior bagagem emocional ao público/espectador/jogador/etc. Ela ajuda na imersão do objeto em questão. Isso também se aplica ao RPG. É comum alguns mestres ligarem uma música, seja ambiente ou mesmo cantada para criar um clima durante a sessão.

Quando a música existe, ela é muitas vezes coerente com o universo em questão. RPG medieval, por exemplo, é constante a presença de bandas de metal melódico com temática extraordinária, como Blind Guardian, Rhapsody of Fire e outros. Às vezes, opta-se também pela música orquestrada de jogos como Final Fantasy mesmo. Outras campanhas também seguem esse esquema, com músicas condizentes à temática.

E se… As músicas não terem tanta relação com o conteúdo?

Eu testei isso há algumas sessões. Era uma campanha de temática ciberpunk. Em vez de ir atrás de músicas eletrônicas para trazer verossimilhança com o tema tecnológico, optei por algo diferente. O primeiro oponente do meu grupo de personagens seria em um bar. Eu não consigo descrever exatamente agora sem o contexto do resto da campanha, então imaginem uma dessas caminhoneiras gostosonas com um quê de cowboy. Ela usava duas pistolas e uma Katana de arma.

O normal, como eu já citei anteriormente, seria usar uma trilha relacionada à temática ciberpunk. Em vez da eletrônica, usei Helter Skelter dos Beatles. Encaixou feito uma luva. Isto é, além de uma campanha hi-tech, é uma briga de boteco. Aquele rock pesado passou justamente a impressão de que o boteco era similar àquelas lanchonetes americanas na beira de estrada dos anos 60. Logo em seguida, a próxima na playlist, caso a briga não fosse resolvida a tempo, era Doom and Gloom, dos Rolling Stones, mantendo a temática. Mais empolgante para avançar na história não era possível. O resultado foi mais do que satisfatório, porque queria passar a impressão de algo além de uma campanha ciberpunk. A sensação foi realmente a de um Road Movie, como era a intenção. Checado.

A música tem esse poder em mesa de jogo. Utilizando uma música mais acelerada instiga os jogadores a acelerarem na briga. A ideia da campanha era interpretação de menos e porradaria de mais. Logo, eu selecionei uma música que condissesse com essa característica, para que o jogo não ficasse travado.

O que eu quero colocar aqui é: você não está 100% preso à temática do universo. Só porque você mestra uma campanha medieval, não significa que a música necessite ser aquela coisa melódica e constante. Pense nas situações em específico, como foi a briga de bar de Road Movie em vez da campanha como um todo. Talvez você consiga com mais facilidade a imersão buscada em mesa.

Ainda acham que estou falando besteira? É só pegar os filmes do Tarantino. 90% das músicas lá não fazem sentido em teoria, mas na própria narrativa, encaixam feito uma luva.

2 Comments

  • Guilherme Lamounier M. Almeida
    1 de dezembro de 2013 at 19:55

    “Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música.”
    Aldous Huxley

    Grande artigo, grande campanha, a música é uma linguagem diferente, e transcende a razão.
    Abrç

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  • Lira
    4 de dezembro de 2013 at 20:41

    Mesmo sendo um complemento considerado bastante desnecessário a trilha sonora ajuda, e muito, no clima do jogo chegando a deixar os jogadores mais focados no jogo. Um bom exemplo é o clima de conspirações e traições presentes no Guerra dos Tronos RPG, usei o óbvio, a trilha de Game of Thrones e posso dizer que causou um efeito muito bom aos jogadores.
    Excelente matéria!

    Reply

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