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A confusão constrói “Cachalote” a Graphic Novel de Daniel Galera e Rafael Coutinho

Acho que todo mundo que acompanha o blog ou me segue no instagram sabe que eu gosto muito dos livros do Daniel Galera. Vivo postando coisas por lá e aqui no blog já resenhei  “Mãos de Cavalo” e “Até o dia em que o cão morreu“.

Ainda quero falar de “Cordilheira” e “Barba Ensopada de Sangue“, mas hoje a obra da vez é “Cachalote” a Graphic Novel de 2010 feita em parceria com o ilustrador Rafael Coutinho e publicada pelo selo Quadrinhos da Cia da Companhia das Letras.

 A história de “Cachalote” não pode ser definida por apenas uma sinopse. Assim como a experiência de leitura ela se divide  para não se fundir em apenas um grande final. Tentando mudar a forma com que o leitor terá que entender ou não a história, Daniel e Rafael construíram uma graphic novel que foge do padrão e pode tanto te conquistar como te deixar na beira da praia.

Confesso de antemão que não gostei do quadrinho quando terminei. Comentei com uma pessoa que também estava lendo a Graphic Novel que eu tinha me decepcionado, esperava algo diferente. As tentativas de conseguir algo inovador com o final me deixou frustada e chateada. Parecia algo brasileiro tentando se parecer com “Umbigo sem Fundo” e histórias do gênero. Faltava algo ali ou como descobri: faltava que eu pensasse a respeito.

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Em Cachalote temos um escultor que recebe um inusitado convite para protagonizar um filme cujo roteiro parece estranhamente inspirado em sua vida, um jovem vendedor de uma loja de ferragens, adepto da dominação sexual com cordas que descobre que a linda garota por quem se apaixona é particularmente frágil e suscetível ao seu fetiche favorito. Um astro decadente do cinema chinês que vem ao Brasil para o lançamento de um filme e torna-se suspeito da morte de seu companheiro de cena, um playboy mimado e arrogante é expulso de casa pelo tio e enviado à Europa para se virar sozinho, um escritor deprimido, sua ex-esposa e sua filha procurando manter o vínculo afetivo e  uma velha senhora grávida e solitária que vaga por sua mansão e tem encontros oníricos com uma baleia cachalote na piscina de sua casa. (fonte)

E você se pergunta assim como eu, como algo juntando histórias tão bizarras poderia dar errado. Sim, talvez os personagens que parecem ser tirados de alguma história maluca de Chuck Palahniuk possam simplesmente conduzir a histórias sozinhos e é nesse exato ponto que eu queria chegar. Ao parar e pensar sobre Cachalote eu percebi que estava olhando do ponto de vista errado. A questão era: na história, assim como na vida, os  personagem ignoram o que deveriam realmente fazer com a desculpa de construir uma história com as próprias mãos.

A graphic novel não consegue fugir de si mesma e assim como personagens precisam de um autor para dar um fim em sua própria história, estes personagens como decidiram por si o que bem queriam, não podem terminar uma história.

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O roteiro de Daniel somado com as ilustrações de Rafael cria um quadrinho que te incomoda em algumas partes. Relembrei o quanto gosto de uma adaptação da Divina Comédia para os quadrinhos do artista Seymour Chwast. Nessa Graphic Novel em questão o desenho não precisa ser “visualmente bonito” pelo simples fato de que a história não é bonita. Você precisa descrever um cara que passa pelo inferno e visualiza tudo o que existe de pior, por qual motivo isso seria bonito aos olhos? Então a obra não deveria incomodar?

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Cachalote são mais de 300 páginas de uma Graphic Novel interessante para o cenário nacional. Não é a melhor, mas ela te prende. Chama a atenção da sua forma e consegue trazer de um jeito até mesmo divertido o confronto dos personagens com o autor e a vida real. Não sabemos o que será e o que teremos no final de Cachalote. Mas com ele  percebemos também que não são todas as histórias que precisam de final.

A confusão constrói essa história e eu tenho certeza que se você escolher ler e colocar um pouco de si e fazer sua própria interpretação, vai conseguir descobrir algo que eu e talvez até mesmo qualquer outra pessoa que fale sobre o quadrinho tenha deixado de passar.

No final, estamos apenas confusos sobre “Cachalote”.

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 ISBN: 9788535916737 |Ano: 2010 | Páginas: 280 | Idioma: português  | Editora: Quadrinhos na Cia

Confira aqui o teaser animado feito para divulgação da Graphic Novel.

Leia um trecho em pdf aqui no site da editora.

Rafael Coutinho nasceu em São Paulo, em 1980. Suas histórias em quadrinhos foram publicadas nas antologias Bang BangIrmãos Grimm.

Daniel Galera nasceu em 1979, em São Paulo. Filho de gaúchos, passou a maior parte da vida em Porto Alegre. Escritor e tradutor de literatura contemporânea de língua inglesa, foi um dos criadores da editora Livros do Mal, por onde lançou seu livro de estreia, Dentes guardados (2001), e a primeira edição de Até o dia em que o cão morreu (2003), adaptado para o cinema por Beto Brant e Renato Ciasca como Cão sem dono (2007). Seu romance Mãos de Cavalo (2006) foi incluído na lista de leituras do vestibular da UFG por três anos consecutivos. Cordilheira (2008) recebeu o prêmio Machado de Assis de Romance, da Fundação Biblioteca Nacional, e foi terceiro lugar na categoria Romance do prêmio Jabuti. É autor também do álbum em quadrinhos Cachalote (2010), com o desenhista Rafael Coutinho. Seus livros e contos foram adaptados para cinema, teatro e histórias em quadrinhos. No exterior, os direitos de sua obra foram vendidos para países como Inglaterra, Estados Unidos, França, Itália, Argentina, Portugal, Romênia e Holanda.

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About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

4 Comments

  • Nicolas Ueda
    11 de fevereiro de 2015 at 01:16

    Eu to bem curioso pra ler algo do Daniel Galera. Até porque acho que vou começar a procurar ler mais livros nacionais. E com graphic novels é melhor ainda. 🙂

    Acho legal esse traço limpo e cheio de detalhes do Coutinho. Eu tava vendo um video com ele, do canal do Quadrinhos para Barbados, e ele fala que se inspira muito no Katsuhiro Otomo, autor de Akira. E é bem nessa pegada de ter um milhão de detalhezinhos, e uma arte que, meio que o realista. Dá pra ficar só vendo os desenhos, por horas.

    Quem me dera se desenhasse assim… 😐

    Reply
    • Anna Schermak
      11 de fevereiro de 2015 at 08:16

      Eu gostei bastante do trabalho do Coutinho. Só tinha reparado no trabalho dele na capa de “Deus essa gostosa” e não tinha lido nada ainda. Agora é a hora de procurar mais!

      Reply
  • Raquel Moritz
    11 de fevereiro de 2015 at 09:40

    Gostei do teu ponto de vista sobre a história não ser bonita e, portanto, incomodar. Bons livros fizeram isso comigo tbm. 🙂

    Tenho que criar vergonha na cara e ler mais as coisas do Galera. O namorado que gosta <3 Ele já leu Cachalote tbm.

    Bjs!

    Reply
    • Anna Schermak
      11 de fevereiro de 2015 at 09:55

      SÓ VOLTA AQUI QUANDO LER GALERA, NÃO QUERO SABER!!!
      Brincadeira, volta, volta, volta ?

      Reply

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