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Literatura Nacional

[TrolandoD20em20] Unholy Avenger

Seguinte. Eu odeio Holy Avenger. Paralelamente, eu adoro Holy Avenger. Talvez, o meu principal problema seja que eu odeio adorar Holy Avenger. Passei por essa epifania mais uma vez quando peguei o relançamento em edição definitiva de luxo.

Não é de agora que eu sustento essa ideia. Eu adoro Tormenta. É um cenário brasileiro que tem capacidade para dar um pau em um monte de cenário gringo de bosta e que todo mundo paga pau. Contudo, preciso ressaltar que Tormenta ainda é uma colcha de retalhos. E isso prejudica o cenário.

Eu digo isso porque você percebe que Arton foi criada com o intuito de englobar o maior número possível de material publicado na até então Dragão Brasil. E fizeram isso mesmo quando não há coerência entre um material e outro. Toda essa mistureba deixou O Reinado com certo ar de Fanfic, dependendo do autor que explora esse material. E digo mais, um dos próprios criadores do cenário passa por isso. Estou falando do próprio Marcelo Cassaro.

Ele não é um grande escritor. O principal problema dele é ter ideias, se deixar levar por essas ideias e executá-las porcamente no papel. É notável que apesar de divertido, muito do roteiro de Holy Avenger é aleatório. Acaba se perdendo na progressão. É nítida a tentativa do Cassaro de colocar mais personagens possíveis só para dizer que estão lá. Ele fica os introduzindo, mas não desenvolve nenhum a fundo. É a pura satisfação de colocá-los lá e pronto.

Sem Título-1

E tem coisa pior. Aumentando a sensação de Fanfic, contamos com aparições imbecis, piadas imbecis e referências imbecis à cultura nerdyca otacú em geral, como é a Niele cantando músicas de anime que ele fazia questão de colocar lá, ou umas referências bocós bem rápidas a Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Bal e coisas do gênero. É engraçado para alguém de 14 anos. Quando eu era menor, também achava foda. Hoje, acho imbecilidade. Referência que vale é sempre sutil, não essas bostas aí.

Aí vem o maldito Capitão Ninja que é um personagem DE MERDA e que ele sempre faz questão de referenciá-lo. Até que, segundo lendas, levou um processo no CU porque a Capcom não gostou quando colocaram esse Naruto de bosta como namorado da Chun-Li. É uma lenda da internet, eu realmente duvido dela, mas que merecia, merecia mesmo. Só para não ser tão imbeciloide na hora de escrever.

O Cassaro é nada mais, nada menos do que o Bendis brasileiro. Os dois adoram forçar na história de um jeito ou de outro seus personagens ridículos e restolhos (Capitão Ninja e Luke Cage, respectivamente – não, o Luke Cage não é criação do Bendis, mas ele se apropriou). A fanbase de ambos adora comer lixo. Ambos não sabem progredir na história, fanficando até não dar mais. Ambos são escritores de merda.

(Bendis, para quem não sabe, é um escritor de quadrinhos gringo e que transforma tudo que toca em bosta, igual a um Rei Midas inverso).

Sem Título-1

Aliás, perceba que a progressão da história é uma merda. A primeira metade é uma merda por si só. A segunda é reflexo da primeira, já que HA foi cancelado. Sim, foi cancelado. E só correram para inventar aquele final e dizer que está tudo planejado. Você acha mesmo que aquele início lento de achar um Rubi a cada 4 gibis para depois aparecerem todos um atrás do outro da forma mais estúpida possível é por acaso? Claro que não.

E sim. Eu detrato só o Cassaro. O resto do trio é firmeza e cabeça. Tanto que os outros dois realmente se desligaram da parte de criação. Só o Cassaro que disse que também se desligou, mas continua lá enchendo a paciência. Por sorte, temos o mito Leonel Caldela para dar segmento e arrumar todas as cagadas de seu antecessor.

Sobre a Edição Especial de Holy Avenger mesmo, posso dizer que achei bacana o tratamento dado. Depois de infinitas tentativas de republicação – além de todo o misticismo por trás de outras produções relacionadas e que eu sinceramente duvido que sequer tenham passado de boatos, às vezes do próprio criador para se perfazer –  finalmente conseguiram fazer o serviço direito. E eu gosto da arte da Erica Awano também. Que isso fique bem claro.

Por fim, eu odeio Holy Avenger. Só que eu também adoro Holy Avenger. Eu odeio adorar Holy Avenger. Adoro odiar Holy Avenger.

No fundo, odeio mesmo é o Cassaro e sua incapacidade de não fanficar e que, assim acaba estragando uma história com potencial. Hoje em dia, ele fode com a Mônica sem lubrificante.

Semana que vem eu falo mais sobre Tormenta e faço um balanço específico dos prós e contras.

POST ESCRITO PELO COLUNISTA CREISSONINO

About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

6 Comments

  • Binn
    24 de fevereiro de 2014 at 22:13

    Até que enfim alguém que entende o problema da história.
    Por mais que eu goste, poderia ser tão melhor…

    Reply
  • Máh
    24 de fevereiro de 2014 at 23:03

    Oiee =)
    Primeira vez que leio a respeitos, as ilustrações estão lindas, fiquei curiosa aqui, e rindo com o teu contraste.
    Beliscões da Máh ?
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  • Frederico
    25 de fevereiro de 2014 at 13:03

    Eu gostei de HA. Não concordo que os personagens aparecem do nada, a maioria fazia parte do cenário oficial de Tormenta, e foi um imenso prazer vê-los em ação.

    Os rubis serem achados rápido foi ótimo, não terminei de ver Ynuyasha até hoje por causa de enrolações inúteis.

    E por último, uma das pessoas da minha antiga mesa de RPG, começou a jogar RPG por causa de HA. Leu o quadrinho, gostou, e veio para o lado negro da força!

    Reply
    • Creissonino
      25 de fevereiro de 2014 at 22:00

      Mas até aí o Bendis abre o Marvel Handbook dele e taca aleatoriamente nas histórias. São todos do universo Marvel. Nem por isso, deixam de ser aleatórios.

      A comparação com o Bendis vai além do que está no texto.

      Reply
      • marcos
        1 de março de 2014 at 17:49

        meu caro, bendis faz o que tem que fazer. a marvel não é a marvel se não houver uma referencia a outro heroi.

        Reply
  • Danilo Coêlho
    25 de fevereiro de 2014 at 13:53

    Mesmo sendo bem novo quando li Holy Avenger, eu também percebi certos problemas de roteirização. Algumas das referências, também devo concordar, são realmente toscas. Entretanto, eu também considero que HA é a HQ do seu tempo, ela foi o resultado do desejo de que cenário se expressasse em outras mídias. Assim, bom ou ruim sob critérios, digamos, mais “acadêmicos”, é uma obra importante para o rpg brasileiro.

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