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Crônicas

Amor não é sinônimo de sofrimento

Ao contrário do que dizem as famosas histórias de amor, eu acredito que o amor não precisa ser sofrido. E talvez meus amigos confirmem que eu já tenha dito essas afirmações algumas vezes em conversas na madrugada.

Apesar de amar histórias de amor que não acabem com finais felizes a lá Romeu e Julieta ou Dante e Beatriz, a versão vida real de um amor sofrido e custoso sempre me foi avessa. Nunca me simpatizei com o sentimento de que “o que vem fácil, vai fácil”.

Minha avó dizia que o que é para ser seu, vem no portão. Essa sempre foi uma forma mais fácil para mim de enxergar o amor. Como algo que acontece, uma carta que é deixada no portão, algo bem mais simples do que realmente fazemos do amor.

Somos criados para imaginar que você precisa sofrer para viver um amor verdadeiro, que a distância precisa ser grande, que a saudade precisa matar que tudo é uma luta para buscar a princesa que sempre está em outro castelo. Mas pra mim isso sempre bateu de frente com o real significa do amor: nos fazer bem.

Amar é algo que não exige correspondência, é algo que sentimos com o lado mais belo do coração. Amar deveria ser fácil, deveria ser algo que antes de tudo nos fizesse sorrir sem motivo e não se transformasse em uma desgraça.

O amor não deveria ser um peso difícil de ser carregado, não deveria ser um medo a ser escondido ou a batalha mais difícil da sua vida. O amor deveria aparecer no portão, bater palmas e chegar na hora que o bolo está saindo do forno e o café acabou de ser passado.

A ideia do amor sofrido, da princesa que perde sua voz para encontrar seu príncipe encantado deveria ter ficado em um passado distante. Talvez Dante devesse ter levado essa ideia do amor difícil e ter deixado em algum lugar escondido no inferno.

O amor deveria nos ajudar a respirar, não nos levar ao chão.

Photo by Avonne Stalling from Pexels

About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

2 Comments

  • Lary Zorzenone
    26 de abril de 2020 at 01:03

    Que lindo seu texto. Eu acredito nessa mesma visão do amor que você. Minha mãe sempre me disse que o que tem que ser nosso, entra ou volta pra nossa vida na hora que tem que acontecer. Eu acredito muito nisso. Eu sou uma eterna romântica, isso é verdade, mas acredito muito mais no amor simples, no querer bem, no sorrir ao lembrar do que o sofrer. O amor, como muitas outras coisas, é simples, nós que complicamos ele.
    Beijos

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  • Alexandra Duarte
    26 de abril de 2020 at 19:36

    Nós vivemos em um mundo que sente culpa em ser feliz e acredita no sacrifício como forma de salvação. Muita gente tem dificuldade em viver sem encontrar sofrimento em cada esquina, em aceitar coisas que vem mais facilmente. Mas pra mim, o pior dessa imagem da princesa que perde a voz para encontrar o príncipe encantado é ver tantas mulheres se perderem por homens que as fazem sofrer. Mulheres que pensam que por um “grande amor” vale o martírio. Já vi tantas mulheres queridas, inteligentes, acharem que o amor é algo pelo qual se sofre e que se tá difícil é papel da mulher segurar e “lutar” por esse amor…

    Adorei a metáfora do amor que chega batendo palmas no portão na hora em que o café está sendo passado e o bolo está saindo do forno. Primeiro porque essa imagem de conforto e paz é o que me parece ser o sentimento de amor (a relação com quem se ama já é mais complexa), depois porque café passado na hora e bolo quentinho saindo do forno é vida! Por mais momentos assim. 🙂

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