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Literatura

[Resenha] Paperboy, de Pete Dexter | @Novo_Conceito

Paperboy, de Pete Dexter
Edição: 1
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581632186
Ano: 2013
Páginas: 336
Tradutor: Ivar Panazzolo Junior

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Sinopse: Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pela sentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam se casar. Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James.

As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico. No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes.

Best-seller do The New York Times, Paperboy é um romance gótico sobre a vida aparentemente sossegada das cidades do interior. Um thriller tenso até a última linha, que fala de corrupção e violência, mas que, ao mesmo tempo, promove uma lição de ética.

 

Pra começar Paperboy é difícil de descrever. Primeiramente ele é Romance gótico, e esse tipo de literatura traz algumas características típicas como elementos sobrenaturais (no caso de Paperboy, não sobrenatural per si, mas sim a situação que os personagens se encontram), criaturas grotescas (Toda a família Van Wetter), grandes cenários abertos carregados de tensão psicológica que criam uma atmosfera de mistério e terror (O oceano, o pântano). Com isso dá para se ter um básico entendimento da estrutura literária de Paperboy.

Agora para a história…

O livro é narrado em primeira pessoa por Jack James, um jovem de 19 anos que foi expulso da faculdade por esvaziar a piscina de natação (um ato que Jack conta, não ser tão fácil quanto aparenta), e que volta para o condado de Moat, e, portanto trabalha como entregador de jornal, para o jornal do seu pai.

A trama começa quando seu irmão mais velho, e também jornalista, Ward James volta de Miami, com seu amigo Yardley Acheman, um ambicioso jornalista, para investigar e tentar provar a inocência, a pedido de Charlotte Bless, o caso de seu noivo Hillary Van Wetter que está no corredor da morte pelo assassinato do xerife.

Charlotte é uma personagem incomum, ela possui um interesse por homens presos, e mantem relacionamentos por cartas com eles. Até que ela começa a se corresponder com Hillary Van Wetter e eles se apaixonam e noivam, sem nem nunca terem se visto pessoalmente. E por isso ela quer provar a inocência de seu noivo, para que eles possam se casar e viver felizes para sempre só que não.

E obviamente Jack, um jovem que foi abandonado pela mãe e tem alguns problemas emocionais, sendo um deles o fato dele não demonstrar emoção ou interesse a nada, se apaixona por Charlotte Bless. E ele começa a dirigir para seu irmão e de certa forma ajudar na investigação.

Ward é o típico jornalista ideológico, Yardley, que também se interessa por Charlotte, é ambicioso e cheio de si, e Hillary é aquela pessoa que você se pergunta por que eles querem tirar esse cara da cadeia, onde certamente é o lugar onde ele deve ficar e que eu não consegui desassociar o nome ao gênero feminino.

Só que os personagens são muito mais que essa breve discrição, eles são realmente tridimensionais. Todos eles têm um lado “negro”, e nada é simplesmente branco ou preto, temos alguns tons de cinza na história. Mas ao mesmo tempo em que os personagens têm essas facetas eles não conseguiram gerar um interesse meu no que eles estavam passando. Eu não me importei com eles ao longo do livro, o que ao final, não me gerou o impacto, que o final de um livro deve gerar no leitor.

E isso me leva a outra coisa que me incomodou, o livro não tem capítulos, ele segue em frente, e vai seguindo, mas tendo várias pontuações prolongadas para ajudar no ritmo. Mas isso passou a sensação que eu lia, lia e não ia pra frente, não tinha aquela sensação prazerosa de terminar um capitulo, dai olhar pro relógio e pensar “Dá tempo de ler mais um”, eu simplesmente chegava à pontuação prolongada, parava e ia dormir. E por isso o livro pra mim ficou arrastado.

A história em si consegue ser bizarra em algumas partes, mas isso faz parte do gênero gótico, só é estranho quando você não está esperando. E apesar da narrativa ser de certa forma interessante, e ser muito bem escrito, a história simplesmente não me agradou, só que o livro está longe de ser ruim.

Resumindo… Paperboy é um bom livro que não me agradou muito, mas se você gosta do gênero, ou se interessou e quer conhecer, você pode gostar.

PS: A capa do livro é a cartaz do filme, eu entendo o apelo comercial para se fazer isso mas isso é uma coisa que eu não gosto. Para mim qualquer fundo branco com o nome em preto seria melhor.

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