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Literatura Nacional

[TrolandoD20em20] A Regra de Ouro!

Saudações!
Depois de um período de férias e mudanças estou de volta com meus apontamentos “RPGísticos”. Antes de mais nada gostaria de parabenizar aos colegas do Pausa para um Café por essa nova roupagem do site,  ficou mais pessoal e com uma cara de “casa”, então PARABÉNS!

Estava com certa dificuldade em encontrar um tema para recomeçar o ano e então durante uma caminhada lembrei da famosa Regra de Ouro.  Conforme texto publicado em 03/07/2012 pelo psicólogo, professor e escritor Giordano Cimadon: “Psicologicamente, a Regra de Ouro implica na empatia de uns com os outros. Filosoficamente, implica em que uma pessoa perceba o seu próximo como se fosse ela. Sociologicamente, é um princípio aplicável entre indivíduos, entre grupos e entre indivíduos e grupos. Uma pessoa que viva por esta regra trata os outros com consideração, não apenas membros de seu grupo interno.” – (http://www.sgi.org.br/consciencia/a-regra-de-ouro-e-a-etica-da-reciprocidade/)

No RPG esse termo normalmente é utilizado como a liberdade do mestre em alterar determinadas regras do sistema para melhor satisfazer suas necessidades. Digamos que este é um tema um tanto quanto polêmico visto que todos os sistemas são criados baseando-se em regras equilibradas e coerentes (ou pelo menos deveriam ser). A utilização da regra de ouro pode ser positiva ou negativa e vou tentar abordar um pouco destes dois aspectos, para isso vou colocar um exemplo diretamente do grupo a qual faço parte: Imaginem que seu grupo tenha sido convidado para uma festa por um grande nobre com o objetivo de agradecer aos aventureiros por terem salvo um bairro daquela metrópole. Ao chegar, são recebidos com toda pompa e circunstância, bebem, comem e dançam, porém a certa altura da noite o grupo se separa espontaneamente: o líder (um famoso clérigo) é solicitado ao aposento do nobre para uma conversa mais próxima; o cruzado, encantado pelas cortesãs, dirige-se a um aposento mais privativo; o monge e o paladino se sentam para observar a festa levemente intrigados com toda aquela situação. O desfecho: o nobre aciona um mecanismo que coloca o clérigo em uma cela subterrânea; o cruzado é atacado durante o coito pela cortesã que se mostra uma cria vampírica e os outros dois são presos subitamente pelos braços e colocados a dançar como marionetes – Agora vamos às análises.

Neste caso o mestre simplesmente narrou os fatos em meio aos diálogos o que pegou a todos de surpresa gerando certa discussão, alguns questionavam sobre as iniciativas, outros sobre o ataque de toque e a maioria dos players sentiram-se indevidamente surpreendidos e utilizaram como argumentos às regras básicas do sistema (D&D 3.5), o mestre deu como resposta: “- Entendam que estou fazendo algo diferente aqui, quero que se desprendam um pouco do costumeiro jogo de rolagem de dados e resistências, podem ter certeza que isso tudo tem um propósito positivo.” – Na sessão seguinte o jogo começou a partir deste momento e seguiu os moldes da regra padrão! No meu ponto de vista existe forma de se aplicar a regra de ouro de forma menos “ofensiva” visto que nesta situação não foram levadas em consideração as classes, habilidades e capacidades individuais tornando os personagens meramente objetos de cena, talvez se o mestre “mentisse” sobre os testes a situação fosse menos traumática e as coisas teriam andado de forma mais emocionante. Sim, eu disse mentir! O mestre, pode e deve rolar seus dados de forma secreta e decidir o que é melhor para a cena e para o andamento do jogo, mas não deve se esquecer de seu papel de regulador e exemplo para o seu grupo.

Fazendo o contraponto, posso dizer que a atitude deste mestre foi muito boa, pois teve como objetivo mostrar que por mais poderoso que seja o personagem ele estará sempre sujeito a situações que fogem totalmente de seu controle mesmo que ele nunca baixe a sua guarda. Afinal: o clérigo foi para a festa com uma adaga e seu livro de orações, o cruzado “fornicava” com a espada na cintura, o “sexto sentido” do monge estava mais apurado que o normal e as armas do paladino repousavam no quarto de troca. Entendem? Os jogadores tendem a estar sempre com o regulamento embaixo do braço, para não serem pegos de surpresa e correrem o risco de perder.

Então se o seu mestre tentar fazer algo diferente, permitam e conversem sobre depois, afinal à diversão deve ser para todos. Enfim, por mais completo que seja um sistema com certeza não contemplará todas as situações possíveis e por esse motivo a maioria coloca a cargo do mestre o poder de decidir como será o desfecho da situação. Aos mestres, usem a regra de ouro com moderação e sabedoria! Conversem com os seus grupos, informem suas intensões e façam de forma menos agressiva. Aos jogadores, entendam que nem tudo é como está no livro e que a vida é uma caixinha de surpresa. Grande Abraço!

“Criatividade é inventar, experimentar, crescer, correr riscos, quebrar regras, cometer erros, e se divertir” – Mary Lou Cook

ESSE POST FOI FEITO PELO GABRIEL CAMILLO!

About Author

Criadora do @pausaparaumcafe, social media, formada em marketing, rata de biblioteca, intolerante à lactose e a pessoas de mau humor.

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