Se você pudesse escolher apenas algumas fotos para revisitar sua vida inteira… quais seriam? Essa é a pergunta que move A lanterna das memórias perdidas, romance delicado e melancólico de Sanaka Hiiragi, publicado no Brasil pela Bertrand em 2024, e tema da nova resenha em vídeo do Pausa Para um Café.
Na história, acompanhamos Hatsue, uma mulher idosa que visita um estúdio nada comum: o local onde Hirasaka ajuda clientes a reviverem suas memórias a partir de 92 fotografias escolhidas a dedo. O que poderia ser apenas nostalgia vira, nas mãos da autora, um verdadeiro ritual íntimo sobre identidade, afeto e aquilo que permanece mesmo quando o tempo tenta apagar.
Assista à resenha completa aqui:
Um romance japonês sobre luz, memória e escolhas
Hiiragi trabalha com uma linguagem sensorial: o cheiro do chá, o vento que atravessa uma estrada rural, o toque áspero das fotografias antigas. Cada imagem funciona como um portal, algo entre o realismo mágico e o cotidiano japonês, sempre suave, sempre humano.
A famosa “sala branca”, descrita no livro, funciona quase como um santuário. Não há tecnologia futurista, apenas um espaço seguro para que Hatsue observe sua própria vida projetada como luz. É simples, bonito e profundamente tocante.
Um dos momentos mais simbólicos do romance é o “Dia do Ônibus” : uma foto preferida, já gasta pelos anos, que desfia a memória toda vez que é revisitada. É assim que o livro conversa com quem lê: lembrando que recordar é bonito, mas também implica perder detalhes pelo caminho.
Por que esse livro funciona tão bem?
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Tem delicadeza sem pieguice, uma escrita que abraça sem exagerar.
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Mistura cotidiano e magia com uma suavidade que lembra Yoko Ogawa e Kawakami.
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É um romance curto, mas que pede leitura devagar, respirada.
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Convida o leitor a fazer curadoria das próprias memórias, não apenas lembrá-las.
A lanterna das memórias perdidas não é um livro sobre nostalgia, mas sobre identidade: o que escolhemos levar conosco.
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