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MARÉ, é doce morrer no mar

Quando penso em cores, sempre me lembro de Thomas Gainsborou que retratou a chegada de um menino a vida adulta, usando cores  e formas antes rejeitadas para o mesma finalidade. Gainsborou usa o azul de uma forma inusitada no seu tempo, e assim sempre foi. Cores são o elemento precioso. Em um quadrinho enquanto as palavras trazem muitas vezes uma mensagem, as cores condensam em tons os sentimentos.

Em Maré o quadrinista trás vermelhos intensos e azuis profundos que combinados definem a obra. Consciente ou inconsequentemente o protagonista transmite uma expressão de fadiga, mesmo que as palavras não reflitam o mesmo. A história é sobre o amor de um pescador e uma sereia em um mundo onde as mesmas são comuns apenas em parlendas. Em vindas e idas temporais acompanhamos o amor deles. Nada é simples quando se é um jovem adulto em um mundo tão parecido com o nosso, são muitos os sacrifícios pessoais e a unica coisa certa é que eventualmente precisaremos seguir em frente. E dessa forma que Maré transmite com cores seu enredo tão contemporâneo, sobre continuar.

Seu entendimento não é nada simples, talvez um crime que cometo, mas precisei voltar e reinterpretar muitas vezes. Não que se trate de algo complexo teórico, mas como uma teia de aranha temporal onde o presente e o passado permeiam. Porém, como disse antes as ilustrações são ensurdecedoras trazendo uma dramaticidade para a história. Maré é o primeiro quadrinho de Edson Bortolotte publicado através de financiamento coletivo no catarse.

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